18 janeiro, 2008

Um peidinho em pantufas...

Isto já se passou em Julho do ano passado mas só agora ganhei vontade de me pronunciar sobre esta matéria.

O nosso "Malabarista" do momento anunciou no parlamento com toda a pompa e circunstância o seu fantástico e horripilante programa de apoio à família e à natalidade,que seria supostamente colocado em prática a partir de 01 de Setembro (Nessa altura ele não chegou a mencionar o Ano,o que me deixou logo apreensivo..).
Estranhamente (e para espanto do mundo inteiro) o nosso primeiro-ministro José Socrátes conseguiu mesmo cumprir a sua palavra e o dito programa começou na data prevista.
Em face disso,surgiu logo em cena as felicitações do nosso "corta-fitinhas" do momento,invadido seguramente por um momento fugaz de grande euforia,que suspeita-se ter sido provocada pelo enorme aparato do anúncio(as benesses concedidas ao povo costumam ser tão raras neste país que até os presidentes da republica saltitam de alegria quando aparece algumas..)..ou talvez... por nessa altura ele desconhecer ainda os pormenores do programa em questão.(Que será o mais certo de ter acontecido).

E como defino eu, sendo assim, a importância das medidas que foram postas em prática?
O titulo deste post já responde por mim,mas vale a pena repeti-lo para não haver lugar a equívocos.
Assemelha-se a um peidinho em pantufas!...silencioso,fugidio e extremamente fedorento!
Mais uma vez a montanha pariu um rato!
Mas verdade também seja dita,que em nenhum momento do meu viver cheguei alguma vez a esperar que este governo (a semelhança dos anteriores) fosse capaz de me surpreender!
Para surpreendermos,temos que possuir talento e engenho para o fazer e esses atributos,ao contrário do que muita gente julga,não são o género de coisas que se consegue comprar facilmente como os diplomas de engenheiro.

Mas vamos lá recordar as tais 2 medidas poderosas (Para incentivar o pessoal a fugir para Espanha,entenda-se..) que tanto orgulho provocaram no José Sócrates:

A primeira medida consiste na atribuição de uma nova prestação de abono de família, que será paga às futuras mães a partir do 3.º mês de gravidez.

«Garantido o acompanhamento médico, as mulheres grávidas, que preencham os requisitos para receber o abono, passarão a ter direito a seis meses de apoio financeiro adicional. Com esta prestação apoiaremos mais de 90 mil famílias e o valor do abono dependerá dos rendimentos. Mas para cerca de 32 mil famílias isto significará um novo apoio de 130 euros», sustentou José sócrates.

A 2.ª medida de apoio à natalidade, destina-se a apoiar as famílias mais numerosas nos segundo e terceiro anos de vida das crianças - «período em que o acréscimo de despesas é mais relevante e onde o actual abono de família é substancialmente mais baixo».
O Governo vai por isso «duplicar o abono de família, neste período de vida das crianças, para segundos filhos e vamos triplicá-los para os terceiros filhos e seguintes. Trata-se de envolver mais de 90 mil crianças e respectivas famílias num apoio social muito mais efectivo, durante um período em que isso é particularmente necessário», sustentou.


Até parece uma fortuna não parece?
E podem acreditar que eles estão plenamente convencidos de que estão a fazer um grande favor aos portugueses!
Essa gente é mesmo assim,não há nada a fazer!
É a mentalidade do "Torna-se fundamental para a sobrevivência da nossa classe, que os portugueses permaneçam sempre pacóvios"..


Mas minha gente.
No meu entender este programa de apoio do governo é tão insignificante que chega mesmo a ser insultuoso!
Não se esqueçam que estamos a falar de apoios cuja aplicação dura 24 meses no máximo e cujos aumentos rondam valores na ordem dos 20/30 euros para quem pertencer ao primeiro escalão!
E quem é que pertence ao 1ª escalão? Aquele cujo rendimento não consegue atingir 198,93 euros por mês!

Nem metade do ordenado mínimo!!

E o nosso primeiro-ministro ainda tem o desplante de dizer em pleno parlamento de que existem 32 mil famílias nessa situação??
Como pode ele sentir orgulho em dizer isso??
Quem ganha 198,93 euros por mês vai passar a ganhar mais 130,62 euros e está quase a atingir o ordenado mínimo??
É esse o orgulho do sócrates??
Essas 32 mil famílias vão começar a fazer mais filhos porque estão quase a ganhar o ordenado mínimo??


Francamente... isto entristece-me...
Mas que raio julgam eles? Que vamos continuar a ser burros toda a vida?
Que os portugueses ainda fazem filhos por amor à pátria??
Essa mentalidade já morreu!..hoje em dia a nossa família vale mais do que qualquer pátria!
Hoje são os governos que estão ao serviço das pessoas e não o contrário!
Os governantes são nossos empregados! É bom que eles nunca se esqueçam disso!!!!
Chama-se a isso:"Viver em democracia"!

Não à sério!..esta gente está mesmo a precisar de ajuda psicológica!

A Alemanha em desespero já oferece um subsidio que pode ir até os 25.ooo euros,a Espanha que já dava um abono de 100 euros passou recentemente a atribuír um "cheque-bebé" de 2.500 euros por cada nova criança nascida no país e estes tipos vem para aqui acenar com trocos???

Na pior das hipóteses,fazemos as bagagens e vamos fazer filhos para a Espanha,certo?
Mas existe um problema,depois de começarmos a conhecer e viver na Espanha,já ninguém quer voltar a Portugal!

De que nos serve voltar se os nossos filhos ficam lá?
Vamos voltar para envelhecermos sozinhos?
A pátria é a nossa família,sem ela,a nossa vida deixa de fazer qualquer sentido.


Eu não vou dizer que estou muito preocupado porque já sei de antemão o que vai acontecer em Portugal nos próximos anos e resta-me apenas aguardar que o tempo me dê razão.
Daqui a 4/5 anos os abonos vão quintuplicar e o governo irá também acenar (em desespero) um "cheque-bebé" de 3000 euros por ano!!
E porquê?
Porque nessa altura o governo terá percebido finalmente a real dimensão do problema e as consequências dramáticas que daí poderão advir.

Perceberão que um país sem filhos é um país condenado à morte!

Se não houver filhos para pagar impostos,quem vai assegurar o pagamento das futuras 7 ou 8 reformas que os deputados, gestores bancários e respectiva descendência familiar pretendem usufruir no futuro? pensarão eles.(Que sejam menos chupistas. Pensaremos nós)

Então nesse altura o "corta-fitinhas" do momento gritará do alto da sua varanda de cristal:

- Pelas almas!..pensem no futuro de Portugal!

E responderá o povo:

- Assim faremos...quando vocês pensarem no futuro dos nossos filhos!!!

A minha trollitada:

MisterX - Não percebo!...se o nosso governo está assim tão preocupado com a baixa taxa de natalidade,porque não segue ele o exemplo da Espanha e passa a atribuir um prémio de pelo menos 1000 euros por cada nova criança nascida em Portugal?

Trollitas - É simples!... Porque o dinheiro não chega para tudo e o governo vai precisar muito dele para subsidiar os abortos...

10 comentários:

  1. Pensador, duas questões:

    1º Depreendo que és contra este apoio estatal. mas és contra a sua criação ou o seu montante?

    2º Depreendo, igualmente, que és contra os gastos com a legalização do aborto. Mas também és contra a legalização do aborto?

    É que antes de responder a este post gostaria de ter resposta a estas duas questões.

    Posso, contudo, desde já, avançar duas notas:

    1º Sou a favor da legalização do aborto por entender que as pessoas de fracos recursos têm o direit0 a ter a mesma dignidade de tratamento que aquelas que tinham dinheiro para ir a clínicas espanholas e porque não conheço nenhuma mulher que aborte por prazer. Logo, penalizar com pena de prisão um acto que muitas vezes era assumido com dor física e moral era uma estupidez.

    2º Sou a favor deste apoio mas não concordo com as suas regras. Por exemplo, não consigo compreender porque razão o apoio apenas é dado nos primeiros anos de vida quando sabemos que as crianças começam a dar verdadeira despesa com a entrada na vida escolar.

    Beijos

    ResponderEliminar
  2. Ni,respondendo as tuas perguntas.


    Evidentemente que não sou contra a criação deste apoio do governo.
    Poderia opôr-me a uma lei mas jamais a um apoio!
    Eu apenas critico a mesquinhez dos valores atribuidos.
    Francamente!..esses valores são extremamente ridiculos!

    Pedia-se uma medida corajosa,uma atitude ousada e motivadora que conseguisse despertar a população e os fizesse encarar o futuro com maior optimismo!
    Mas a resposta foi demasiado péssima para ser verdade!

    Acredita NI,esta medida (que mais parece um penso a tentar esconder ingloriamente uma hemorragia)não vai provocar qualquer alteração no panorama nacional.
    Foi apenas concebida com o intuito de camuflar a inépcia do governo.


    Ni,eu votei a favor da legalização do aborto.
    E fi-lo por uma questão de consciência!
    Um filho não pode nascer INDESEJADO pela mãe!
    Quem recorre ao aborto não DESEJA ter esse filho,logo se o aborto fosse ilegal,essa criança já nasceria CONDENADA quando deveria ser DESEJADA.
    Seria encarada como um estorvo e não como uma riqueza na vida da mãe.

    E hás de ver que no Post apenas fiz uma referência ao aborto na "Trollitada" mas apenas com o intuito de transmitir uma mensagem.

    Ni,independente das razões que justificam certos actos,eu estou certo de que concordarás que um nascimento é uma aposta no futuro,na continuidade da vida...enquanto que um aborto representa exactamente o oposto.

    Critico é essa gritante desigualdade de energias que o Governo aplica quando patrocina o aborto por um lado e quando tenta estimular a maternidade pelo outro.

    Por outras palavras,ele parece mais interessado em fazer morrer do que fazer nascer...

    Bjs nina.

    ResponderEliminar
  3. Ok. Agora entendi melhor a tua mensagem.

    Gostaria de dizer mais alguma coisa sobre este tema mas ficará para amanhã.

    Bjs

    ResponderEliminar
  4. Pensador...Vamos realmente ao cerne da questão.O q e passa é q já não existem tantos nascimentos pela Europa fora devido a vários factores:Alteração de valores impostos antes pela sociedade tanto religiosos como culturais,maior informação a nível sexual,maior protecção contra doenças transmitidas sexualmente,maior taxa de divórcios,mudança da mulher no papel da família dando muitas vezes prioridade à carreira,mas o q penso q está a afectar mais a natalidade é um crescente egoísmo por parte das pessoas q preferem o prazer pessoal e imediato tornando se escravas do consumo e do lazer,..e tanto mais para dizer...A Alemanha q é um país "rico" porquê é q se vê confrontada com este dilema?Pelos vistos o incentivo q por lá é oferecido não está a dar frutos...
    A falta de dinheiro nunca foi um problema para se ter filhos.Mas nos nossos dias parece ser...E aqueles q possuem condições para os ter não os têm...É ou não é??Jinhos

    ResponderEliminar
  5. A Sofia focou um ponto interessante que eu subscrevo e realçaria: a mudança de valores sociais.

    Quando tive a minha primeira filha tinha dois empregos e andava no último ano da faculdade. Como não contavamos com a ajuda de familiares, foram tempos difíceis mas foi uma filha planeada e amada. Tentamos nunca faltar com o essencial mas não tínhamos possibilidades de lhe dar o que muitas crianças já naquela altura tinham. Mas, o curioso é que no infantário diziam que se via que era uma criança feliz e que era a mais bem disposta da sala.

    Recordo-me que quando fui ter a minha segunda filha tinha 33 anos. Já tinha uma com oito anos. Não tive mais cedo apenas por medo (o primeiro parto não tinha corrido muito bem). foi interessante nessa altura constatar que, para além de ser a mais nova que se encontrava internada no serviço de obstectrícia, ser a única que ia ter a segunda filha. A maioria das mulheres que se encontravam naquele serviço tinha 37 anos (e isto para o primeiro filho).

    A Sofia apontou algumas razões para o descréscimo da taxa da natalidade. As razões para se ter o 1º filho mais tarde são similares.

    É óbvio que a maioria dirá que está a aguardar uma maior estabilidade no emprego e uma maior segurança económica para ter um filho porque pretende dar o melhor. Não contesto a validade de tal razão. Mas não deixa de ser um reflexo da sociedade de hoje. Uma sociedade egoista, frívola e individualista.

    Mais ainda, as pessoas partem de um pressuposto errado. É que dar o melhor para as crianças não é sinónimo de bens materiais da melhor qualidade. Esquecem-se que a criança também vive de afectos. Poderemos não ter dinheiro para lhe dar roupa de marca ou mesmo uma playsation mas o dinheiro não é necessário para dar afectos. É óbvio que temos que ter o mínimo para se viver com dignidade e é nesta perspectiva que concordo com a lei. Muitos casais não terão possibilidade de ter um filho porque eles próprios não vivem com o mínimo de dignidade.

    Tendo esse mínimo de bens materiais e o máximo de afectos não tenho qualquer dúvida que a criança terá um crescimento saudável.

    Quanto à questão do aborto: nao discuto dinheiro quando ele serve para evitar a perda de vidas humanas. O Estado não paga às mulheres para abortarem. O Estado paga para evitar que as mulheres morram de forma indigna.

    Beijos

    ResponderEliminar
  6. Mais medidas para nos atirarem com areia para os olhos, é o que é! Mais medidas pouco sinceras, recheadas de fogo de artifício barato para o povo aplaudir.

    Compreendo e concordo com os vossos argumentos em relação à diminuição da natalidade como consequência da mudança dos valores sociais. Mas por outro lado, se antigamente a vida não era fácil, considero que hoje em dia muita coisa mudou para pior. Já não temos empréstimos bonificados, a mulher tem de lutar para ter uma carreira e ganhar decentemente para contribuir para o rendimento do casal, conheço imensos casos de mulheres que engravidam e após a licença de maternidade têm uma carta de despedimento à espera, mascarado por outro motivo qualquer... Falo por mim, tenho 29 anos, ainda não sou mãe e gostava muito de ter já um bebé. Se não o faço não é por egoísmo ou para esperar pelas condições perfeitas...

    ResponderEliminar
  7. Eu cá parece-me tudo muito simples: o Sócrates quer crianças? Então o Sócrates deixa de levar no bujão e vai fazer meninos, porque ele é que ganha bem para sustentar uma família numerosa.

    Meta os trocos no cú, como se fosse um mealheiro!

    Que raiva, o pobre vai ser sempre pobre, e os chulos sempre chulos!

    Bjs
    Borboleta Azul

    ResponderEliminar
  8. Meninas,abriu-se aqui um dialogo extremamente interessante!
    Amanhã vou estar de folga e vou ter mais tempo para aprofundar este tema da natalidade. (quiçá noutro post?)

    Está prometido!

    Bjs

    ResponderEliminar
  9. Borboleta,a ideia do Sócrates é sermos nós a fazermos meninos para garantirmos o pagamento das 7 ou 8 futuras reformas que vão ganhar os "meninos" dele!

    Dissestes que os pobres vão ser sempre pobres?

    Cheguei a pensar que sim...mas o problema é que os "pobres" estão a deixar de ter filhos.
    E não havendo filhos,quem vai ser pobre no futuro?

    Agora já percebes o que faz o Sócrates e os "Boys" sentirem-se tão aflitos...

    Bjs

    ResponderEliminar
  10. Pensador...antes da legalizacao do aborto o dinheiro ja nao chegava! Mas atencao, para o que eles consideram importante..fazem-no chegar!

    ResponderEliminar

A frase mais estúpida que poderá ser dita aqui é: "Para Pensador pensas pouco..."
A mais inteligente é: "És tão lindo Pensador..."