11 maio, 2017

O respeito (des)conquistado...

Hoje aconteceu-me viver uma situação muito caricata no meu emprego que acabou por cimentar  a paupérrima opinião que muitas vezes nutro pela generalidade das pessoas, especialmente quando se trata de uma mulher inserida num contexto de trabalho. Para o leitor compreender melhor a situação, começo por dizer que ontem tinha sido um dia especialmente  mau. Certos elementos da minha equipa cometeram lapsos de trabalho imperdoáveis que afectaram a organização e a produção de várias pessoas, inclusive a minha, e obrigaram-nos a todos a fazer um esforço suplementar para resolver a situação. Trabalho no ramo da logística, numa empresa do sector alimentar, e digamos que o produto final produzido por essa empresa passa todo pelas minhas mãos, tornando-me especialmente responsável quando as coisas dão para o torto. Fiquei muito aborrecido porque a situação tinha sido resultado de uma falha muito infantil (protagonizada por gente muito "barbuda"). Alguém cometeu o lapso de imprimir etiquetas erradas e, das 5 pessoas que estavam mobilizadas para encaixotar o produto e colar a respectiva etiqueta nas caixas, não houve ninguém que conseguisse dar fé da asneira. O resultado foi que tivemos de desmanchar 6 paletes completas que já estavam prontas para ser expedidas e ter que refazer todo o trabalho. Hoje estava em vias de suceder a mesma asneira mas como eu ainda estava escaldado do dia anterior, consegui dar conta do erro antes dele acontecer e fui falar com a suposta "culpada" por esta situação. Chamei a pessoa à parte e pedi-lhe para ter mais atenção no futuro porque já era a 2ª vez e aqueles erros eram escusados de acontecer. Primeiro a rapariga amuou, o que não me espanta rigorosamente nada porque hoje em dia a juventude é quase toda assim - estão tão habituados a ter tudo dos pais que já não toleram nada -, mas ao fim de alguns minutos ela veio ter comigo e num tom um bocadinho arrogante acusou-me de ter sido demasiado duro com ela porque, supostamente, havia lá colegas considerados muito piores blá blá blá  e que eu só soube dar na cabeça dela. Olhei para o lado e vi 3 pessoas a presenciar todo este cinema. Respondi-lhe que se ela não gostava das minhas observações podia sempre expor o seu desagrado ao director geral ou ao nosso patrão e depois limitei-me a virar costas.
Tudo isto fez-me pensar no quanto o ser humano é estúpido. Confesso que por vezes aborrece-me tratar algumas pessoas com respeito quando a minha vontade era mandá-las à merda ou tratar alguém por Senhor quando a minha vontade era trata-lo de filho da mãe dele mas mesmo nesses momentos nunca deixo de ser educado porque tenho consciência que, embora possa considerar-me um homem livre, também faço parte de uma sociedade na qual existe um conjunto de regras, deveres e normas de conduta e a noção de respeito que devemos ter de uns pelos outros. Já pensaram o que seria do mundo se cada um de nós dissesse sempre tudo aquilo que lhe viesse do coração à boca sem medir as consequências? Estaríamos todos a fazer tijolo!
Acontece que, ao contrário dela, eu respeitei aquela rapariga. É verdade que tive de alerta-la para as suas falhas mas a minha função também assim o obriga, e pelo menos tive a decência de chama-la à parte e manter a nossa conversa em privado para que ela não se sentisse constrangida. Por mim o assunto morria ali e jamais alguém saberia da nossa conversa a não ser que ela tomasse a iniciativa de revela-la. E que foi ela fazer? Talvez com a intenção de marcar uma posição, fazer-se respeitar por ser mulher num mundo de homens, ou então para não ficar perante mim com uma imagem de otária, teve a brilhante ideia de fazer circo à frente de outras pessoas. Qual foi o resultado?! Se a conversa tivesse permanecido entre nós, a esta hora ainda estaria tudo bem e o assunto estaria claramente arrumado, mas como decidiu fazer o seu circo, agora todo o armazém soube que ela levou na cabeça....2 vezes no mesmo espaço de hora.
Francamente, será que havia mesmo necessidade de tudo isto acontecer? Será que esta gente acredita mesmo que é possível conquistar o respeito do mundo com orgulhos feridos, amuos e ares de gente insolente? É o que sempre digo:

"Há gente que tem tanto medo de fazer papel de idiota que acaba por fazer figura de urso!"



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Exemplo de uma mulher que valorizo muito porque é muito desenrascada e só pensa no trabalho....

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