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Falemos sobre a Bandeira de Portugal...

Espero não estar a cometer nenhum crime...nem espero sequer cometer um sacrilégio por estar a dizer isto mas...não gosto da bandeira de Portugal. Acho-a feia, berrante e foleira. Pronto, desabafei, agora podem bater-me, agredir-me, insultar-me e prender-me se faz favor porque tenho a consciência que acabo de ofender pelo menos 20 portugueses, que representa uma estimativa mais ou menos fiável do numero de pessoas que costuma frequentar diariamente o meu blogue. Sou português e adoro o meu país (a maior parte dele pelo menos), mas, na minha opinião, as cores da nossa bandeira foram muito mal escolhidas. Talvez tivessem sido bem escolhidas perante a realidade cultural da época em que foi criada mas agora considero que, face à conjuntura actual, deixaram de o ser. Conheço bem a história da bandeira nacional ou pelo menos lembro-me de ter lido alguma coisa acerca do assunto e sei quais foram as razões invocadas pela comissão responsável para justificar essa escolha, mas, também sei que deixou de fazer sentido transportar essas razões para os dias de hoje. Com franqueza, porque razão Portugal haveria de continuar a honrar as cores do partido (republicano) que tomou de assalto o poder vigente (ainda que tenha sido plenamente justificado)? Se amanhã o Partido Comunista fizesse também o mesmo e impusesse uma ditadura no país, faria sentido retirar o verde da esperança e mudar a bandeira de Portugal para vermelho completo e colocar uma foice e um martelo no lugar do escudo que assenta sobre a esfera armilar? Se fizer, então está muito longe de fazer para mim. Podem continuar a dizer que o verde representa a esperança da nação e o vermelho o sangue de quem lutou pela pátria, e tenho a certeza que haverá quem continue a acreditar nisso, mas eu tenho o terrível defeito de ter dois olhos para ver e dois palmos de testa para pensar. Se nunca acreditei na lenga lenga do anjo Custódio que apareceu junto de Afonso I de Portugal, para ajudá-lo a vencer a batalha de Ourique, também não vou acreditar nesta ladainha. Uma bandeira deve representar o sentimento de um povo e não uma mensagem politica. Ponto.
Não tem nada a ver com falta de patriotismo, mas, antes desta 10ª versão, entre 1143 e 1910, Portugal já tinha conhecido 9 mudanças gráficas na sua bandeira, o que perfaz a média de uma mudança a cada 100 anos, sensivelmente, logo, uma vez que já passaram 108 anos desde a criação da última, se calhar também já era tempo de pensarmos seriamente em mudá-la de novo e criar uma versão mais actual. Hoje Portugal pertence à CEE e está perfeitamente integrado no projecto europeu, logo, gostava de sentir-me precisamente isso, mais Europeu, e essa história do Estado novo, das armas e dos barões assinalados, para mim, isso já é tudo coisa do passado. Segundo os livros de história, a mudança radical que a nossa bandeira sofreu teve uma inspiração republicana e a sua criação representou um corte dramático entre o passado que foi "passado" e o...passado que se seguiu, que nas altura dos factos, era o presente. Quiseram estabelecer, por assim dizer, uma espécie de "fronteira ideológica" entre as tradições da história monárquica e a recém nascida filosofia republicana, não havendo dúvidas de que conseguiram fazer isso muito bem. Demasiado bem, infelizmente. É certo que a península ibérica foi ocupada durante 800 anos pelos Mouros e isso talvez justifique muita coisa daquilo que somos no presente, mas a ser verdade que há sempre uma grande história por detrás da escolha de uma bandeira nacional, porque raio as únicas bandeiras no mundo inteiro que partilham as mesmas cores que a nossa são da Bolívia e Marrocos, e a mais parecida é da Burkina Faso? Asseguro-vos que não sou racista mas esta realidade é simplesmente decepcionante. Sempre gostei de pertencer à "tropa de elite" e, assim, faz quase parecer que Portugal, apesar de estar na Europa, continua a pertencer ao 3º mundo.

Hoje de manhã entrei no café, olhei para o jogo de futebol que a televisão estava a transmitir e perguntei-me qual seria a equipa de Portugal que estava a jogar. Depois, olhei mais atentamente e reparei que afinal não era Portugal mas sim uma repetição do jogo amigável entre Marrocos e a Ucrânia. O equipamento dos marroquinos era tão parecido com o português de há muito poucos anos atrás, que nem consegui perceber a diferença. Depois fui ao LIDL para fazer as minhas compras e dou de caras com dezenas ou centenas de tarjas "Rumo à Rússia" que estavam espalhadas por todo o espaço comercial. Nunca vi nada tão reles, fiquei logo sem vontade de fazer compras. As nossas cores não combinam com nada. Em termos de comunicação, publicidade e marketing, são um perfeito desastre. Felizmente que o equipamento da nossa selecção de futebol é todo vermelho, o blusão é branco, e só as meias são verdes (certamente que deve ter sido uma imagem muito trabalhada, um verdadeiro desafio de marketing...), porque se assim não fosse, o mundo ainda ia ficar a pensar que o Cristiano Ronaldo era marroquino.


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Por mim, a Bandeira de Portugal ficava muito melhor assim...
(Imagem retirada daqui)