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A lei do mais forte

Há um video que tem corrido as redes sociais e acabou por fazer manchetes através da mídia porque mostra um agente da PSP a ser agredido nos inícios de Outubro, no jardim de Santa Catarina, em Lisboa, por um capanga delinquente de 43 anos que já conta na sua folha de cadastro cerca de 17 processos por agressões. O dito sujeito estaria a importunar os transeuntes presentes no miradouro, em particular as mulheres que se encontravam no parque (devia estar com fome, coitado), situação essa que motivou a chamada das autoridades. Quando o agente Alves de 23 anos e a sua colega Lina compareceram no local e pediram-lhe a identificação, explicando-lhe os motivos de tal atitude, o individuo recusou identificar-se, resistiu à imobilização e começou a agredir o agente referido a pontapé e socos na cara perante a passividade dos transeuntes e a manifesta impotência da sua "partner" que tentava esconder-se por detrás dele com medo de levar uma lapada. No fim o fulano acabou por ser dominado e detido e depois de ter sido presente a um juiz do tribunal...acabou por ser libertado. Sim, leram bem, libertado, assim simplesmente. Trata-se de algo verdadeiramente surreal. Um homem agride um agente da autoridade e nem sequer teve direito a passar uma misera noite que seja numa cela fria de prisão. E assim vai a nossa querida justiça em Portugal. Viva a Anarquia!
Convidado a pronunciar-se sobre este caso o presidente do Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL), Armando Ferreira, diz ser “triste verificar que colegas continuam a ser sistematicamente agredidos e nada é feito pelo poder judicial e institucional”. Afirmou ainda que, em média, quatro policias são agredidos diariamente e que, a par do fenómeno dos suicídios, este é o mais crescente no seio das forças de segurança. "Os polícias nada fizeram no vídeo, nem puxaram do bastão. Se é esta a polícia que querem ter, é esta a polícia que vão ter”, finalizou ele prometendo levar o assunto ao Ministério da Administração Interna, que é como quem diz, a lado nenhum.



Polícia agredido em Lisboa from Público on Vimeo.

Confesso que fico cada vez mais atónico com todas estas noticias que por vezes chegam até mim e mostram-me tudo aquilo em que o mundo se transformou nos dias de hoje. São situações tão estranhas e bizarras que vemos acontecer um pouco por toda a parte e a toda a hora, cuja inoperância das diversas instituições responsáveis por garantir a segurança do país é tão grande que acaba por anular quaisquer consequências para quem optou a via do crime e cria assim um sentimento de impunidade muito difícil de digerir. Sei que noutras sociedades não menos civilizadas do que a nossa, a legislação vigente não é tão branda e permissiva e este tipo de situações jamais teriam forma de acontecer porque antes mesmo do sujeito pensar sequer em agarrar o policia já estaria a levar imediatamente com um balázio na cabeça e ficava ali estendido. Na América, por exemplo, houve muitos casos desse género - muitos dos quais considerados injustos, but who cares? - porque lá não se brinca aos cowboys nem aos policias de faz de conta. Acreditem, para mim foi extremamente frustrante e confrangedor analisar o dito video e verificar que as nossas forças policiais fizeram-se representar por 2 policias anões que mais pareciam miudinhos acabadinhos de sair da puberdade e cujo peso dos dois somados não devia atingir a marca dos 100 Quilos. A sério minha gente, é esta a força policial que passou a representar Portugal? Um zéquinha lingrinhas de cabelo rapado na lateral à maneira SKIN (e óculos de sol na algibeira?) e sem estofo para estas andanças e um pau seco de virar tripas anoréctico que se um dia der uma estalada em alguém vai partir seguramente duas ou três unhas e desmantelar os seus ossos todos? São estes os nossos agentes protectores? Os nossos defensores da lei? Se forem, então deixem-me dizer-vos de que estamos muito mal entregues. Não tenho nada contra policias baixos ou pequenos porque os homens não se medem aos palmos mas espero sempre que eles sejam capazes de dominar qualquer situação e saibam espetar uns pontapés à Jackie Chan se for preciso. Antigamente tudo era resolvido à lei da espada e à força bruta mas desde que inventaram a pólvora acabaram-se os "Super-homens" e os heróis já que que qualquer otário conseguia empunhar uma arma. Assim, se estes policias viam que não tinham argumentos físicos suficientes para dominar o nível dos acontecimentos para que raio querem eles a porcaria do revólver? Será que serve apenas para repousar no coldre e enfeitar a farda à volta da cintura ou então para espantar pardais?. Chegou inclusive a ser humilhante ver alguma comunicação social salientar o facto da agressão ter sido presenciada por vários populares que limitaram-se a assistir à cena e não fizeram nada para socorrer os agentes em apuros. Mas será que esta gente está toda doida? Se agora os cidadãos tornaram-se responsáveis por defender os policias, quem é que está responsável por defender os cidadãos? Para que raio serve a policia afinal? Será que só serve para pregar multas a quem excede o limite de velocidade ou teve a infelicidade de pisar uma linha continua na estrada? Sinto pena de tudo aquilo que está a acontecer por terras lusas porque conheço bem o sentimento do nosso povo e mais ainda a sua inusitada capacidade de passar do 8 para o 80 num abrir e fechar de olhos. Tanto podem ser humanos e altruístas como amanhã já querem matar e dar cabo de tudo. A nossa democracia está a ser tão enxovalhada e maltratada nos dias de hoje que chegará um dia onde o sentimento de insegurança na população será tão grande que ela fechará os olhos a tudo aquilo que a rodeia, sobretudo em matéria de justiça, e estenderá de novo a passadeira vermelha para o ressurgimento do fascismo. Tenho dito.

A "bíblia" dos homens...

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Imagem da Net

Foi titulo da primeira página do JN de hoje e é uma noticia simplesmente inacreditável. Um Juiz do tribunal da Relação do Porto desculpou o comportamento de dois homens acusados de violência doméstica com base em passagens da bíblia católica (que foi escrita pelo homem como se sabe), algumas práticas seculares do médio oriente e alguns enxertos de uma legislação escrita pouco tempo após ter sido extinguida a presença da "Inquisição" em Portugal e que, como é óbvio, fruto da atrasada e execrável mentalidade daquelas épocas, condenam violentamente o adultério.


Muito resumidamente (quer se dizer, vou tentar pelo menos...) a história deste caso pode ser contada desta forma: Em 2014 uma mulher casada talvez farta da porcaria de vida que levava envolveu-se secretamente numa relação extraconjugal com um homem solteiro, o que eu condeno mas cada qual sabe da sua vida. Pouco tempo depois, quando as hormonas voltaram a estabilizar, ela quis acabar com a dita relação mas como o amante já estava habituado a ter sexo do melhor e de forma totalmente gratuita (muito diferente daquele que, se calhar, anteriormente era forçado a pagar), passou a perseguir a mulher por tudo quanto era sitio, seja fisicamente ou através de mensagens enviadas para o seu telemóvel. A sua intenção pareceu-me ser bastante clara, queria pressionar emocionalmente a referida mulher para que continuasse a satisfazer os seus intentos sexuais com base na chantagem, o que faz dele um crápula e constitui claramente um crime de assédio moral. Como ela não cedeu (quem cede às exigências de um porco?) o amante vingou-se contando tudo ao marido traído. Este, por sua vez, acabou por ficar separado da mulher e passou também a persegui-la através do envio de mensagens SMS com insultos e ameaças de morte, o que revela obviamente que a opção da separação partiu da vontade dela e não dele (traído e abandonado, que poderá haver de pior para ferir o orgulho de um homem?). Não satisfeito com tudo aquilo que tinha feito, o ex-amante continuou a perseguir e assediar a sua vitima e em 2015 acabou mesmo por sequestrá-la e transportá-la para um local perto do emprego do ex-marido. Aposto que seria um local bastante discreto e propício a práticas sexuais decididas em cima da hora, mas como a mulher mais uma vez não cedeu a chantagens (ah grande mulher!), agindo mais uma vez por vingança aquele chanfrado asqueroso acabou por telefonar ao ex-marido e convidou-o para um encontro a três, o que, mesmo não tendo sido premeditado, resultou no espancamento da citada mulher com uma moca feita com pregos cravados. Hediondo não é? Parece uma daquelas coisas macabras que se usava fazer nos tempos medievais, mas ainda assim isso foi muito pouco quando comparada à sentença proferida por aquela bosta de Juiz que viria a ser encarregue de julgar este caso. É que, pior do que as acções de gente atrasada, porca e delinquente só mesmo a subjectividade de um religioso juiz psicopata.

Obviamente que, oficialmente, estes dois homens foram condenados pelo tribunal no sentido de iludir o povo e vender perante a sociedade a imagem de que a justiça funcionou, mas na prática a condenação deles não equivaleu a nada. Um verdadeiro zero ao cubo. O marido apanhou ano e meio de prisão e 1750 Euros de multa e o amante teve direito a um ano de prisão e 3500 Euros de multa, mas como as penas ficaram ambas suspensas, na prática só vão cumprir cadeia efectiva se eventualmente não quiserem pagar as multas. E através desta sentença aflitivamente singular é-nos perfeitamente possível visualizar o objectivo primordial dos tribunais. Hoje em dia eles já só existem para criar e cobrar multas. Que se dane se houve algum crime, se mataram alguém ou se houve alguém que ficou com a sua vida devastada, o importante não é meter os criminosos na cadeia para que possam meditar sobre a gravidade dos seus actos porque isso acarreta que haja despesas da parte do estado para mantê-los dentro do gaiolão. O importante sim é gerar receitas para pagar o despesismo do estado, os luxos dos juízes, ministros e outros funcionários que pertencem ao quadro mais alto da justiça e os absurdos salários que ganham mensalmente fora os prémios que ninguém vê, e também os vários milhões que cada governo eleito pelo povo acaba sempre por roubar a cada legislatura tudo na mais honesta e profunda legalidade. Criar e cobrar multas, isso sim é importante e não pode falhar caso contrário a máquina pode emperrar. Tudo o resto são pormenores e não interessam a ninguém. Hoje vale tudo menos tirar olhos? Mas que interessa isso? O planeta está superlotado e não faz mal nenhum que se crie condições para que alguma gente possa morrer.

Agora mais a sério, isto será mesmo verdade? Foi nisto que o mundo se tornou? São estes os nossos guardiões da justiça, paladinos da verdade e baluartes do civismo? Num estado supostamente laico agora também já se tornou possível condenar e desculpabilizar pessoas aos olhos da justiça tomando como base algumas citações da bíblia e práticas seculares praticadas por algumas culturas mais bárbaras do que a nossa? Mas que brincadeira vem a ser esta afinal? É assim que os juízes querem ser respeitados? Será que este juiz também já foi corneado e agora não pode ver mais mulheres adulteras à frente dele? Ou será que passou a estar tudo doido neste país? Eu aposto na última...