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As comicidades do futebol...#05

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Como eu adoro o mundo do futebol.

Gosto muito do Sérgio Conceição enquanto treinador, ou melhor, gostarei sempre dele enquanto a equipa continuar a ganhar e a praticar bom futebol, e nos faça acreditar que é possível conquistar os troféus que já escapam ao FC Porto há 4 anos, mas se ele começar a perder e não ganhar nenhum troféu, a única coisa que poderei dizer dele é...cagadeira com ele. Treinadores que não ganham nada, como esses já tivemos lá muitos e nenhum deles deixaram saudades. Mas vamos ser optimistas e acreditar que vamos ganhar tudo, inclusive a Liga dos Campeões Europeus. Bom, se calhar agora também já estou a ser demasiado optimista. Vamos lá reduzir isto para a simples conquista da Liga Nacional que é aquilo que todos os portistas desejam e a única coisa que conta verdadeiramente para eles. Dizia eu que gostava muito do Sérgio Conceição porque acho que aquele homem não tem medo de nada, tem uns tomates do tamanho de um boi, fala de uma forma terrivelmente apaixonada e não manda dizer nada por ninguém. Quando lhe apetece mandar alguém abaixo de Braga, manda simplesmente, quer ele seja o roupeiro ou o presidente do clube que o paga. É um tipo às direitas e tudo nele é genuíno. Não segue nenhuns estereótipos nem pode ser comparado a ninguém. Mas o Sérgio possuí também uma habilidade muito particular que pouca gente pode dar-se ao gozo de ter. A capacidade de meter os pés pelas mãos e dizer merda...para depois, mais tarde, arrepender-se. Foi o que aconteceu quando ele chamou o Rui Vitória de "boneco". Há uma coisa que sempre aprendi e que me tem safado de muitos problemas até hoje. Sempre que alguém mete o pé na argola, nunca pode recuar e tem que assumir o tamanho do passo que deu. Isso quer dizer que se eventualmente cometermos alguma asneira ou dissermos uma mentira, perante o mundo nunca podemos voltar atrás e temos que manter a nossa posição custe o que custar. Nunca podemos dar parte de fraco. Ora, para mim o erro do Sérgio não foi ter chamado o Rui de boneco mas sim lamentar publicamente que não devia tê-lo feito. Sei que ele deve ter sido pressionado a fazer isso mas acredito que isso lhe tenha custado os olhos da cara. E foi um erro porquê? porque o Sérgio é um personagem verdadeiramente genuíno, logo, tudo o que ele diz também acaba por sê-lo. E como podemos nós lamentar uma coisa que dentro de nós sentimos como verdadeiro? Pode alguém lamentar o facto de ter sido sincero? Não, dificilmente alguém pode...e o Sérgio então, nem se fala. Para ele é mais difícil ainda. Assim, quando alguém é forçado a justificar-se, mas, intrinsecamente, não se sente culpado de haver cometido qualquer tipo de má acção, muitas vezes a emenda pode vir a ser pior do que o soneto. E foi precisamente aquilo que aconteceu. Na ânsia de querer justificar-se, lamentou o sucedido mas não pediu desculpas porque não sente que tenha sido mal educado nem acha que as suas palavras sejam razão suficiente para ofender o Rui Vitória. Não quis ofender ninguém e respeito toda a gente disse ele...

Ó sérgio, sérgio...mas é claro que respeitas toda a gente. Longe de mim pensar o contrário. Apenas chamastes o homem de "boneco" e é sabido que esse tipo de adjectivos está muito longe de traduzir uma falta de respeito porque não constitui nenhuma ofensa. Aliás, se alguém te chamasse isso tenho a certeza que ficarias logo a irradiar de felicidade...

Os ricos pobres...

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Delicia-me particularmente ver alguns emigrantes que estão a chegar por esta altura para passar as suas férias em Portugal, depois de, num passado mais ou menos recente, terem ganho alguma má fama na freguesia e saído dela com uma mão à frente e outra atrás para tentar melhor sorte no estrangeiro, e vê-los agora a conduzir um bruto carrão (seja do próprio, roubado ou alugado, isso pouco importa), armados agora em grandes patriotas, buzinando a alto e bom som quando passam junto dos cafés e levantando bem a mão para o pessoal que está na esplanada, como quem está a dizer-lhes:"Olhem cambada de morcões, olhem para mim agora!" e depois não ver ninguém retribuir-lhes o aceno de volta. Delicia-me ainda mais vê-los ao fim de 15 dias, depois de terem bebido uma boa dúzia de finos com Martini ou cervejas, a lamentarem-se da vida com um qualquer outro bêbedo que conseguiram "agarrar" no balcão do café - e que só está lá para beber à custa dele - , dizendo que as pessoas da freguesia estavam cheias de manias e que só lhe tinham inveja, porque quando passava por eles a maioria fingia não o ver ou esforçava-se para não o reconhecer. Não percebo a lógica destes indivíduos. Vão para o estrangeiro com o propósito de ganhar bom dinheiro, comprar um bom maquinão e meter raiva à freguesia como se estivesse a vingar-se ou a cuspir nela e depois ficam chateados por ver o pessoal...sentir raiva dele? Mas não foi esse precisamente o propósito que ele queria atingir? Quem trabalha para provocar a raiva de alguém pode esperar receber admiração, respeito ou amor de volta? Se mete nojo, recebe nojo, é assim tão complicado entender isso? É como eu sempre digo: Não serve de nada ficar mais rico (ou mais abastecido vá lá) se a mentalidade da pessoa continuar pobre como sempre.