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A magia do Natal...

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Chamava-se Maria, ou Rita, ou Engrácia, ou Ripipi, mas decidi baptizá-la de Natália por ser a protagonista da primeiríssima e talvez única história de Natal que senti o chamamento de escrever até hoje. Enquanto esperava pela minha querida mulher, dentro do meu carro estacionado junto à porta principal do LIDL, deu-me para observar essa jovem miúda, bonita, de vestimenta e modos desajeitados que revelavam a sua natureza cigana, ou moldava, ou romena, ou sei-lá bem, e uma expressão profundamente triste que ofuscava o brilho dos seus lindos olhos azuis. De mão estendida e uma voz doce encantadora, por cada boa "alminha" que passava junto dela, via-a atirar incessantemente, com muito ar de desespero, sempre o mesmo apelo de misericórdia, ajuda e compaixão. E o desespero de quem passa fome mexe sempre com o meu âmago, cria um reboliço nas minhas entranhas, irrita-me, revolta-me, e faz sobressair as poucas partes boas que ainda vivem em mim. No meu intimo, sentia a pressão exercida sobre o meu ego inquieto; que espécie de ser humano seria eu para assistir tão impávido à miséria que parecia consumir sem misericórdia a vida daquela pobre criatura, sem sentir o anseio de agir ou mudar alguma coisa pequena que fosse? E se fosses tu, relembrava eu, terno e docemente, como aquela mensagem fatídica que tantas vezes vi passar na televisão. E se fosses tu, gostarias que alguém te tivesse dado a mão? Sim, é claro que gostaria, pensei eu, assolado pelo pressentimento convicto e decidido de que estaria preste a conquistar as boas graças do karma, ao contribuir de forma totalmente altruísta para a felicidade de outra pessoa que não fosse eu. Saí do carro e, enquanto caminhava na sua direcção, continuava a ouvir os apelos que, insistentemente, lançava contra o vento e voltavam para ela mais cheios de nada ou carregados de coisa nenhuma."Ayuuda pai", "Ayuuuda, mãe", "Ayuuda, abó". "Dá-me um pão", "dá-me um queijo", "dá-me um frango"...enfim, dá-me qualquer merda, a menos que ela seja literalmente. E a cada passo que dava, mais o meu coração batia, forte, e mais sentia o meu batimento cardíaco acelerar, e por cada novo apelo que ouvia mais enternecido me sentia, e desejoso de "salvar" aquela criança. Dentro de mim, já conseguia imaginar o seu sorriso de contentamento, o seu ar de espanto, de felicidade e agradecimento por saber que o mundo não era só feito de pessoas más, frias e egoístas. Imaginei as suas lágrimas de alegria, e até um abraço sentido, apertado, daqueles que surgem sempre de improviso e só pretendem encher de amor o coração de alguém. E foi naquele pequeno, sentido e silencioso momento, naquele fragmentado segundo que antecede sempre cada milagre, quando já estava preste a surgir diante dela, triunfante, com a minha mão carregada de afecto e generosidade...que vi um senhor de certa idade passar bruscamente à minha frente, talvez devido à pressa de parecer mal educado, e ser agraciado também ele com as atenções daquela criatura encantadora. Foi naquele inolvidável momento que voltei a ouvir a sua voz angélica: "Ayuuda, pai!", "Pai", "Ayuuda". E foi também naquele inolvidável e tenebroso momento, depois de ter visto o senhor de certa idade seguir já bem longe de mim - poucos segundos após ter ficado indiferente aos apelos da menina -, que pude ouvi-la murmurar baixinho contra o esmalte dos seus dentes...« seu grande filho da puta»...

Oh Natália...fodeste tudo...

(E o pior é que nem sequer é uma história. Foi tudo verdade...)

A minha ilha...

Onde gosto de estar só...
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Estou nesse lugar onde o sol se deita,
Naquela ilha onde a lua já só brilha sem a noite.
Dissimulada na natureza, que me acolhe, abraça, 
E me trata como sua igual,
É na sombra que me escondo e permaneço, em silêncio,
Protegida de todo mal.

Na quietude desse momento,
Que só o canto das gaivotas 
E a agitação do mar ousariam quebrar, 
Ainda sinto remanescer em mim,
Já desfeitas e sem vontade,
Todas as lágrimas que não pedi
E os sorrisos que perdi,
Quando na penumbra dos meus dias 
Fui magoada sem piedade.

Estou nesse lugar onde a alma se renova,
Naquela ilha onde ninguém consegue chegar.
Mas é na sombra que me escondo e permaneço, em silêncio,
Até que o sol decida se levantar,
A lua volte a beijar a noite
E um dia possas me encontrar.

(Francisco o Pensador)

Os nossos lindos momentos...

- Sabes amor? Gosto tanto tanto tanto de ti...
Acho-te um homem tão bom, tão lindo e carinhoso...

- E tu sabes o que és?
És a mulher que possibilita tudo isso...
Nunca seria ninguém sem ti...
São mulheres como tu que fazem homens como eu...

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Amor disse ela...

Orgulho gay: Nova capa da revista 'Cristina' contra o preconceito
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Hoje, depois de fazer algumas compras, decidi encher o depósito de gasolina do meu carro num posto de combustível da PRIO. Enquanto esperava na fila a minha vez de pagar, olhei para o lado das revistas e quase ia caindo de lado - tal a força do impacto - quando vi algo bastante incomum exposto nas prateleiras da banca. Era a revista da Cristina Ferreira que, supostamente, este mês decidiu abordar o tema do "Amor" em todas as suas variantes (homem/mulher, mulher/mulher, e homem/homem) mas quem olhar mais de perto percebe perfeitamente que o verdadeiro tema em destaque é o fim do preconceito em torno da homossexualidade (porque falam sempre de amor quando o assunto é sexo?). Primeiro fiquei um bocadinho espantado por ver uma revista portuguesa abordar o tema "Gay" de uma forma tão directa e desinibida mas, como sou uma pessoa muito desconfiada por natureza e olhando para o trabalho que a revista tem feito desde que foi criada, pensei logo para mim que a intenção da "Cristina" devia ser mais no sentido de causar impacto e ganhar mais uns cobres à custa do tema do que propriamente abraçar uma eventual causa humanitária. Mas até nesse ponto permaneci confuso. Uma coisa é o mundo da televisão ao qual a Cristina Ferreira pertence e onde o preconceito "Gay" praticamente não existe e outra coisa bem diferente é o mundo real dos pobres "portuguesitos" onde esse preconceito continua bem vincado e parece estar mais forte do que nunca. Por isso, se a intenção da revista era atingir um recorde de vendas, num país tão homofóbico quanto o nosso, receio bem que esta tenha sido a pior ideia de sempre dessa revista mesmo que ela esteja disfarçada com o falsa desculpa do "Amor". Ainda por cima acho que a revista escolheu muito mal as fotos que decidiu apresentar. A foto do casal dos homens nem vale a pena comentar porque, como vocês estão cansados de saber, eu acho todos os homens feios (eu incluído), logo, não é esse casal que vai conseguir encher-me as medidas. O que eu condeno sobretudo é a escolha da foto para representar o casal de mulheres. Para ser o mais sincero possível, acho estas mulheres quase tão feias quanto os homens. A do lado direito então nem se fala, se não a vir sem roupa duvido até que seja mulher. Sempre valorizei imenso a graciosidade, o glamour e a feminilidade das mulheres e aquelas coisas parecem sobretudo uma péssima representação de "Marias Machonas". Biarkkk....mas que coisinhas mais horrendas! acreditem que se visse isto na rua punha-me logo à frente dos meus filhos como quem está a protegê-los de algum perigo.
Antes que comecem a atirar-me pedras aviso-vos desde já que não tenho rigorosamente nada contra a homossexualidade mas também não sou daquelas pessoas que sentem a obrigação de defender uma causa só para provar que não são contrários a ela. A mim esse tema passa-me completamente ao lado. Não sou a favor nem contra, simplesmente deixou de interessar-me. Digo deixou porque não foi sempre assim. No passado também eu fazia muitas piadas sobre o assunto e metia-me algum nojo imaginar dois homens a fornicar um com o outro mas como a vida está sempre a ensinar-nos coisas, e só se nega a aprender quem for teimoso ou burro, com o passar dos anos comecei a ganhar uma opinião bem diferente. Diga-se o que se disser, e visto de fundo, a homossexualidade não passa de uma preferência sexual, logo, que diferença podia bem me fazer a forma como os outros à minha volta gostam de fornicar entre eles? É só sexo minha gente. E sexo consensual entre duas pessoas ainda por cima. Que direito tinha eu de questionar a sexualidade das outras pessoas e que podia eu recear delas? Será que, pelo facto de gostar de homens, tinha que proteger o meu rabo de cada vez que passasse por um Gay? Isso é uma autêntica palermice. As coisas não funcionam dessa forma porque se assim fosse, como eu sou "hetero", então as mulheres também tinham que se proteger quando passassem por mim. Depois de ultrapassar este pequeno "preconceito", ainda assim mantive-me relutante durante um bom tempo em relação ao tema da adopção de crianças por casais homossexuais. Achava muito nefasto para a vida de qualquer criança ter que estudar um dia numa escola e ser conhecido como um filho de "panilas ou panascas". Considerava que toda a criança tinha o direito de crescer feliz e que não era justo ele ter que carregar o fardo dos pais. Mas depois, anos mais tarde, quando soube através da televisão do caso de uma mãe que deixou o seu filho, um bebé de alguns meses que estava desidratado e com fome, na mala do seu carro para tomar o seu "galãozinho" na pastelaria enquanto o carro estava a ser lavado, pensei para mim que, se calhar, aquele filho teria tido mais sorte na vida dele se tivesse sido adoptado por um casal Gay. Que interessa quem seja a cuidar? O que interessa é que haja muito amor na família para distribuir entre todos. Assim, ainda que não seja um real defensor da causa, pelo menos deixei de ser um opositor e acho que também isso tem o seu valor.

Paixão, Amor e Sexo

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Há dias escrevi aqui um texto sobre os malefícios do tédio numa relação e isso gerou imediatamente uma discussão bastante interessante sobre as diferenças existentes entre a Paixão e o Amor. Ora, trata-se de um tema que por norma não gosto de fugir e talvez por ter ideias muito próprias acerca destes dois conceitos, decidi-me hoje finalmente a fazer um post sobre este assunto. Para começar a minha narrativa gostaria de enumerar algumas diferenças que considero existentes entre a Paixão e o Amor. A paixão é um sentimento de encantamento que se rege sobretudo pelo plano físico. Desse modo, as características que mais atraem a pessoa apaixonada são os olhos, os cabelos, os lábios, os contornos do corpo, a pele, o sorriso, o rabo, as nádegas, os seios, etc. Durante a paixão o ser humano fica atraído pela idealização que faz da outra pessoa e não forçosamente por aquilo que ela é de verdade. Durante este estado o "apaixonado" atravessa uma fase emocional muito intensa e tem também a necessidade quase interminável de estar sempre ao pé da pessoa amada. Os programas são sempre os mais elaborados e românticos, com direito a jantares sob a luz das velas e/ou vistas para o mar - onde já lá se encontra um pôr do sol para poder imortalizar aqueles momentos -, "bouquets" de rosas, jóias, anéis de brilhantes e caixas de chocolate, etc. Nessa fase o sexo conhecerá também o seu período mais intenso e escaldante uma vez que beneficia do efeito novidade e não sofreu ainda as agressões do tempo. Para uma pessoa apaixonada, o(a) seu(sua) parceiro(a) não tem quaisquer tipos de falhas nem de defeitos e mesmo que os tenha tudo isso irá parecer-lhe uma montanha de virtudes. A paixão pode durar desde algumas semanas até alguns anos (3 em média), dependendo da química existente entre os dois e do tipo de vida que o casal decidiu levar, mas acaba sempre por terminar por acção da rotina, das brigas e do tédio. É nesse espaço temporal que surge o momento mais marcante da história de uma relação a dois porque define de forma mais nítida se a relação acaba ou se resulta numa história de amor. Ah pois é, e não...não é nenhuma piada, é só mesmo nesse momento que o amor consegue entrar em cena. Sei que há muita gente que não aprecia muito ouvir isso, sobretudo quando se trata de mulheres, porque muitas gostam de acreditar que a sua relação foi fruto de um "Amor à primeira vista". Mas o amor à primeira vista nunca existiu, foi apenas uma fantasia imortalizada em livros por muitos poetas e escritores para melhor seduzir o público. O que existiu desde sempre foi "Paixão à primeira vista" mas esta veracidade não reluzia tão bem nos livros. Mas porque razão o Amor só surge quando a relação parece estar em vias de morrer ou terminar? Por uma razão muito simples, tem tudo a ver com a natureza e os vários elementos que caracterizam esse novo sentimento. A amor não se guia pelo superficial e é por isso que consegue ver muito além das aparências. É o único sentimento humano que consegue ver a chamada "Beleza interior" da pessoa que normalmente é traduzida através da sua personalidade, pensamentos, valores e autenticidade. Como o amor é um sentimento muito sereno, a sua chegada vai limpar todas as "ilusões" e outras armadilhas ópticas que a paixão deixou para trás, já que consegue identificar no(a) parceiro(a) tanto as suas qualidades como a dimensão dos seus defeitos. Quando tudo corre bem e o sexo é mais do que bom, a vida é um paraíso encantado que corre às mil maravilhas e ninguém se importa com as consequências de nada. Mas que acontece quando os primeiros sintomas dos "defeitos" que cada um guarda dentro de si começam a revelar-se e a corromper a relação, fazendo surgir problemas dentro de casa e levando o casal a afastar-se e a mandar piadinhas um ao outro, gerando assim algumas brigas? É o momento em que o amor ganha relevo e surge que nem um Dom Sebastião entre as brumas porque é o único que consegue salvar a relação. O Amor toma plena consciência dos defeitos do(a) parceiro(a) mas ainda assim prefere lidar com as adversidades que todos esses defeitos irão provocar do que viver sem a pessoa amada. É esta disposição das coisas que melhor define e torna este sentimento tão complexo e profundo, porque através dela percebemos perfeitamente que o termo "Amar" implica apoiar incondicionalmente o próximo, tanto nos momentos bons como nos mais difíceis. Isso não quer dizer que as brigas e discussões deixam de aparecer com o amor, muito pelo contrário, há tendência de elas até serem mais frequentes porque quem ama importa-se, não renega. A diferença é que já não sentimos a vontade de mandar tudo às "malvas" e, em vez disso, tentamos compreender o(a) parceiro(a) e procuramos encontrar consensos ou uma solução para os problemas. Amar não é sermos felizes ao lado de alguém, é procurarmos a felicidade da pessoa amada. Amar não é só querer morrer ao lado da pessoa que amamos, é sobretudo querer morrer na vez dela. Porque para quem ama, a sua vida deixa de fazer qualquer sentido sem a presença do outro. Amar é cuidar, é partilhar, é chorar de saudade, é sofrer com as tristezas do outro. A paixão é intensa, o amor é profundo. A paixão é força, o amor é segurança. Paixão é audácia, amor é serenidade. Paixão é sentir uma explosão dos sentidos, é atingir o apogeu do sexo. Amor é sentir a realização completa da nossa vida, é alcançar uma epifania de afectos.
E o sexo no meio disto tudo? Quando digo sexo, refiro-me obviamente às relações de natureza sexual. O sexo é o estandarte da paixão. É o condimento alimentador, o "Yin" do "Yang", a segunda face da mesma moeda. O sexo está para a paixão como o azeite está para o bacalhau. Ambos coabitam no mesmo espaço, complementam-se, e dão sentido à existência um do outro. É quase como uma relação umbilical, onde existe um tem que existir forçosamente o outro. Durante o período da Paixão o sexo irá assumir um papel muito importante. Será o bastião da felicidade amorosa. Se o sexo estiver bom, a paixão estará óptima. Se o sexo esmorecer, a paixão também sumirá. E durante o período do Amor, que papel passará a ser atribuído ao sexo? Nesse período o sexo assumirá um papel ligeiramente diferente. Como o sentimento da paixão foi dominado pelo sentimento do amor, o sexo passará a fazer um papel de fiel representante. Representará os únicos vestígios que a paixão conseguiu deixar na relação. Mas com isso não quer dizer que passou a ter um papel menos relevante. Muito pelo contrário. Por mais forte que seja a relação de amor, a verdade é que ela irá sempre ter a necessidade de sentir a presença de alguns traços de paixão para conseguir sobreviver. Se o sexo alimenta a paixão, e vice versa, a paixão por sua vez, também alimenta o amor. E é precisamente esta a conclusão que tiro e que gostaria de transmitir. Seja qual for a etapa da vida que o ser humano atravessar, seja homem ou mulher, solteiro ou casado, velho ou novo, todas as ligações amorosas são feitas de "Amor, Paixão e Sexo", e se qualquer um destes elementos desaparecer, a relação que os une também irá finar-se gradualmente. Sobrando apenas uma boa Amizade, quiçá...

Tão linda, bela e doce...


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Chego em casa...fatigado. Sei que estou de férias mas bem sabes como estes dias tem sido cansativos para mim. Já fazia muito tempo que a nossa casa precisava de algumas reformas, e já fazia muito tempo que procurava alguma disponibilidade para poder cuidar dela. Entro na cozinha e lá estás tu, meu anjo. Também cansada, fatigada, ar preocupada, desanimada, mas contudo sempre linda. Linda como sempre fostes. Sei que a vida não tem sido fácil para ti. Para além dos vários problemas que és impelida a enfrentar ao meu lado, tens ainda o teu coração de filha e de mãe, que nunca descansa....e sofre continuamente. Quem dera que o nosso mundo estivesse em paz. Quem dera podermos deixar as nossas preocupações de lado. Mas esta tem sido a nossa luta, a nossa batalha, e orgulha-me saber que estou a fazer este caminho a teu lado. És uma grande mulher. Uma guerreira. Uma deusa. 
Sentei-me na cadeira e nem tenho tempo de te pedir nada. Prontamente vais ao frigorífico e retiras de lá algo que só tu sabes fazer como eu gosto. Meu rosto sorri. És o sol da minha vida. Depois de uma jornada dura, nada mais deliciante para a alma do que refrescar os sentidos com o sabor da tua linda limonada. Dentro dela consigo encontrar um bocadinho de cada traço teu. Sinto a força da tua paixão, a doçura dos teus gestos e a beleza do teu amor. Obrigado por teres pensado em mim. Obrigado por cuidares de mim. Enquanto bebo, dou por mim a observar-te. Magra, formosa, elegante, cabelos soltos a cobrir-te os ombros, olhar cansado mas cheio de amor. No teu rosto, mesmo marcado por alguns sinais que o tempo teimou deixar-te, continuo a ver a mulher que eu sempre amei. Continuas linda, continuas bela, continuas doce. E eis que sinto crescer em mim uma repentina necessidade. Sem que percebas, já caminho na tua direcção. Aproximo-me, coloco-me por detrás de ti. Gentilmente, acaricio com as duas mãos as laterais do teu rosto descendo suavemente até encontrar o teu queixo. Passo um dedo pelos teus lábios e depois volto a subir. Suspiras porque já sabes o que vem depois. Lentamente, passo os meus dedos pelos teus cabelos, desde a testa até à nuca sem me esquecer de acariciar as tuas orelhas. Docemente, desvio algumas madeixas de cabelo que te cobrem e beijo o teu pescoço. Uma, e outra e mais outra vez. Respiro, inalo o teu cheiro. Sinto-me embriagado com o teu aroma. Tua pele já não é tão sedosa mas continua bonita e a cheirar bem. Enquanto sentes os meus beijos, minhas mãos continuam a percorrer-te. Vou descendo com toda a ternura que tenho, e caminho maciamente ao longo dos teus braços procurando o teu ventre. Assim, no calor silencioso deste momento, eis que mato por fim a repentina necessidade que tinha visto crescer em mim. Essa necessidade de te abraçar. Num abraço doce mas apertado faço-te sentir a força do meu amor. E sem que tenhas tempo de suspirar novamente, aproximo a minha boca do teu ouvido e sussurro algo dentro dele.«Amo-te, amo-te muito». Não porque precisasses de o saber, nem sequer de o relembrar, mas sim porque mereces e porque sei que gostas de ouvir. Nessa altura as tuas forças parecem renascer e o teu rosto volta a brilhar novamente. Pareces um raio de sol. Viras-te para mim e num gesto que faz parecer quase parar o tempo, dás-me aquele beijo estonteante que me atira instantaneamente até aos anéis de Saturno, trazendo-me à memória toda a beleza daquele dia. O dia em que te conheci.

Hoje mais do que nunca!



...Temos que saber avaliar, com total honestidade, a evidência de possibilidades que a vida nos oferece, e, se conhecermos a grandeza das nossas capacidades e limitações, saberemos aplicá-las com sucesso e retirar proveito de todas as nossas potencialidades.
É por isso que, sabendo que sou um homem que tem Amor de sobra, Amor esse que posso dar e vender, decidi focar inteiramente a minha atenção na parte do "vender" e dai...elaborei um plano fabuloso, que consiste em dividir o meu Amor em pequenas fracções, que serão colocadas em seguida à venda em locais estratégicos, a preços extremamente apelativos, e com promoções que poderão chegar até aos 90%.
Pensem bem, vocês não tem falta de Amor ai em vossa casa? Não gostariam de receber algum extra para embelezar um pouco mais o vosso quotidiano? A vossa vida?
Algum talvez para consumo próprio? Para oferecer aos amigos ou à familia?
Estou aqui, faço Amor de qualidade, e ofereço descontos fantásticos para os meus melhores clientes.

(Ps: Atenção meninas, que ao falar de Amor nunca tentei associar-lhe qualquer sentido de teor sexual, mas se algumas de vós fizer essa confusão, melhor ainda.)

(Ps2: Apesar de ele se mostrar completamente inútil, já me dei ao trabalho de editar este post por 3 vezes nestes últimos 3 dias! E, pasmem-se, nem sequer sei explicar a razão disso.)

A minha Mãe

Hoje comemora-se o dia da Mãe.
Para muita gente este dia possui um significado muito especial, onde se torna imperioso demonstrar as nossas mães o quanto elas são importantes para a nossa vida.
Seja com um simples bouquet de flores, um cartão colorido ou um simples beijo...tudo é eficaz quando sentimos apenas a intenção de demonstrar todo o nosso afecto.

Para mim este é um dia em que essencialmente se revela uma grande mensagem de amor...mas que infelizmente faz-me sentir sempre a necessidade de ficar só.

Há 1 ano atrás, este dia levou-me a fazer um desabafo.
Um desabafo que guardei longos e intermináveis anos dentro de mim e que precisava de ser lançado contra o vento.
Um desabafo que me queimava a alma...que me consumia por dentro.
Mas se na altura deixei passar alguns dias antes de o fazer para que de certa forma ele conseguisse passar despercebido (e quase consegui se não fosse a minha querida Ni!), hoje sinto o desejo de o partilhar com todos os meus fiéis amigos internautas e todos aqueles que por uma razão ou outra resolvam visitar-me um dia.

Faço-o também porque este é no fim de contas o meu blogue pessoal, dando-me formas de poder guardar este desabafo para memória futura.

Aviso-vos que foi escrito com todo o coração e sob o efeito de muita emoção.
Espero que gostem...



Até hoje, nunca falei sobre a minha mãe.
E se não o fiz, possuía bons motivos para não o fazer.
Custa-me imenso falar sobre a minha mãe!
É se calhar a única mágoa que permanece no meu peito...no meu coração...
Vocês não sabem, mas sei de antecedência que este texto não me vai sair nada bem. Vai-me custar imenso escrevê-lo e as palavras vão sair como que as prestações...
Quando falo da minha mãe, a emoção corta-me as palavras.

Perdi a minha mãe muito cedo...Demasiado cedo...
Perdi a minha mãe quando mal tinha saído da adolescência e durante vários anos entrei num estado de profunda hibernação!
Como os ursos..
Devo tudo a minha mãe...Tudo o que fui...Tudo o que sou...
E tudo o que serei mais tarde...

A minha mãe salvou-me vezes sem conta...
Até com a sua morte me salvou...porque fez-me meditar e olhar para trás...e ao fazê-lo, deu mais sentido a minha vida!

A melhor homenagem que lhe posso dar, é falar sobre a sua vida..
Foi uma mulher que lutou toda a vida para nos dar o que ela nunca tive..
Levou-nos para a França ás escondidas do regime Salazarista, onde crescemos vigorosos e em segurança, para não passarmos a mesma miséria que ela teve de suportar.
A minha mãe só viveu para nós e não conheceu mais nada senão o trabalho.
Suportou os problemas de álcool do meu pai..
Suportou os maus-tratos..
Suportou a solidão...
Suportou o cansaço...
Suportou o racismo de uma terra que não era a nossa...
Suportou a tristeza de viver longe da sua família materna..
Suportou as saudades...e suportou as recordações de uma infância que lhe foi negada a partir dos 8 anos...
Mas eu nunca suportei as lágrimas dela..
E ainda hoje, apesar de ela já não estar aqui...continuo a ouvir as suas lágrimas...

........

Quis o destino que a minha mãe sofresse uma operação cirúrgica na coluna para não morrer de forma prematura...Tinha ela apenas 40 anos...
Nessa operação as possibilidades de sobreviver eram de 60/40...
60 para continuar viva...40 para morrer..
Mas a minha mãe não temeu e lá foi..
Por amor...

No dia da sua operação, outras 2 pessoas estavam no seu quarto e iam submeter-se a mesma operação do que ela...
Quis então o destino que elas fossem para o bloco operatório antes da minha mãe!
E morreram as duas...
A minha mãe soube disso...E embora temesse um pouco dessa vez, fechou os olhos e lá foi...
Mas uma vez por amor...
E a operação correu bem...O destino tinha-lhe dado finalmente um sorriso e minha mãe pude voltar para junto dos seus...
...mas não se conseguia mexer.

Tinha-lhe sido aplicado 5 anestesias gerais e parecia um autêntico bicho...
Mas os seus olhos reluziam...
Como eram lindos os olhos da minha mãe!...
Verdes como a cor da sua esperança...grandes como o tamanho da sua fé.
E vi neles a felicidade de poder nos ver e abraçar...
Minha mãe era assim...
A felicidade dela era ver-nos felizes...

E foi assim que permaneceu em casa...
Sem conseguir se mexer...deslocar...
Mexia apenas um pouco as mãos e durante os cinco anos que se seguiram foi essa a vida que ela conheceu...
Eu estudava e trabalhava...
As minhas irmãs estudavam e trabalhavam..
E o meu pai quis ficar em França no seu trabalho de sempre..

E minha mãe assim permaneceu...
Sozinha!

E foi essa solidão que a levou a refugiar-se no álcool..
Era o seu refúgio...o seu meio de esquecer e aguentar as dores...
Como poderíamos lhe negar fosse o que fosse?
Como poderíamos lhe negar o seu único companheiro de solidão?
E não lhe negamos...
Também nós por amor...

Depois a minha mãe acamou por causa de problemas originados pelo excesso de consumo de álcool..
Minhas irmãs estavam todas em França, excepto a mais nova...
Mas como ela ainda estudava e nem sempre podia estar presente para ajudar...
Coube-me em parte a tarefa de mudar as fraldas da minha mãe...
A primeira vez cortou-me o coração!
Mas não deixei que a minha mãe se apercebesse disso!
Ela merecia muito mais do que ver compaixão nos meus olhos!
Contive as lágrimas o melhor que pude e ganhei coragem onde não pensei encontra-la...
Por amor...

Mas o destino quis ser-lhe mais uma vez cruel!
Estava totalmente curada da sua operação na coluna, mas o álcool destruiu-a por completo.
Ganhou uma cirrose no fígado...
E mais uma vez, vi a minha mãe sofrer..
E mais uma vez ouvi as lágrimas da minha mãe...
Deitada na maca de um hospital, vi minha mãe vomitar sangue....
E dessa vez, não consegui aguentar!
Procurei a casa de banho do Hospital e chorei!
Chorei...chorei..chorei...

Depois voltei para junto dela e sorri....e ela sorriu para mim...

Até que ela pediu-me para ir embora..
E eu compreendi...
Ela sentia as suas dores que voltavam e não queria que eu a visse sofrer..
Por amor...
E nesse instante desejei..
Desejei que esse sofrimento acabasse..
Desejei que a minha mãe fechasse os olhos e não acordasse mais...
Para não a ouvir mais sofrer...
Para não ver mais lágrimas no seu lindo rosto...
Porque sofria também com ela..
Por amor...

E minha mãe morreu...
E eu quase morri com ela...

A mágoa que guardo dentro de mim é ter visto a minha mãe partir desta forma tão cruel!
Ela não merecia este fim!!
Sofreu toda a vida por nós e merecia acabar a vida doutra forma!
Merecia ser feliz!!!!!!
E ver-nos a todos felizes junto dela!!
Ou que pelo menos ela tivesse a possibilidade de sentir...
Que o amor que ela sempre teve por nós...
Também tinha reciprocidade da nossa parte...

Esta é a história da minha mãe.
E nem sei como consegui escrevê-la..
Se me fosse possível hoje falar com ela ou se estivesse seguro de que ela me pudesse ouvir, só gostaria de lhe poder dizer algo....

Obrigado Mãe!
Onde quer que estejas...sei que estás feliz!