03/05/2019

No 1º de Maio, o trabalho está sempre no caralho.

Ontem, ou melhor, anteontem, festejamos o 1º de Maio, também conhecido internacionalmente como o "Dia do Trabalhador". Mas, não obstante tudo aquilo que possa ter sido ou ainda seja dito a favor desse dia, para mim ele não passa de um embuste e continua a representar a maior contradição criada pelo homem em matéria de feriados. Nesse dia, acho que, por uma questão de bom senso, seria suposto vermos o mercado laboral trabalhar em força e cada empregado ver-se confrontado/desafiado a trabalhar 2 ou 3 vezes mais do que o habitual já que o termo "trabalhador" referencia sobretudo todo aquele que vive do seu trabalho, o que, em qualquer país europeu democrata como o nosso, excepto Portugal, também quer dizer que quanto mais trabalho produzirmos mais dinheiro teremos a possibilidade de ganhar. Mas em vez de podermos demonstrar de que raça trabalhadora somos (ou fomos) feitos, vejam só o que a lei nos convida a fazer. Disse convida? Obriga! Decreta um feriado para ficarmos todos em casa na pastelice, sem podermos fazer porra nenhuma sem ser esvaziar a dispensa ou as duas primeiras prateleiras de cima do frigorífico (onde por norma costumamos deixar as porcarias que mais fazem mal à saúde), para depois ficarmos alapados no sofá a ver filmes e séries na TV, excepto alguns sortudos de nós, que, na falta de melhores ideias, decidem fazer sexo tórrido e quase animalesco com a sua vizinha do lado esquerdo (para quebrar um pouco a rotina de não ser sempre o lado direito) enquanto a sua "chérie" vai se entretendo com as roupas e as limpezas da casa, mas não eu, podem ficar descansados, porque a única vizinha que tenho vive a 2 milhas de mim e tem um sorriso que faz quase lembrar um código de barras. Enfim, se algum dia alguém quiser trazer alguma justiça para este mundo, talvez no futuro este dia seja conhecido como o dia do mandrião, do gandaieiro, do malandro ou do calaceiro, mas dia do trabalhador é que não pode continuar a ser. Nunca, jamais na vida. E o pior é que todo este movimento de forças está a destruir a reputação de homens conceituados, íntegros, valiosos e verdadeiros trabalhadores como eu, que, para não parecermos fascistas nem trabalho-dependentes revoltados contra o sistema, somos forçados a não fazer a ponta de um corno o dia todo (e às vezes também à noite) só para demonstrar que estamos perfeitamente inseridos na sociedade.

25/04/2019

25 de Abril e a liberdade que (dizem) ainda temos mas que já deve estar por um fio.

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Dizem que hoje é 25 de Abril e que, neste dia, em Portugal, se festeja o dia da liberdade. Dizem que hoje é feriado nacional e que, ainda que isso possa parecer-me um pouco extraordinário, algures no nosso pequeno território há quem ainda sinta a vontade genuína de celebrá-lo. Dizem que foi neste preciso dia que, num passado não assim tão distante, mais concretamente em 1974, o Movimento das Forças Armadas (MFA) pôs em marcha uma revolução militar que colocou um fim à ditadura Salazarista que já durava há mais de 40 anos. Dizem que foi uma revolução pacifica, que não originou nenhum derramamento de sangue e que esse factor foi determinante para que essa revolução ficasse conhecida como a "Revolução dos cravos". Dizem que a canção "E depois do adeus" cantada pelo Paulo de Carvalho, foi transmitida às 22h55m do dia 24 de Abril de 1974 pelos Emissores Associados de Lisboa como forma de código/senha para que fosse dada a ordem para as tropas ficarem mobilizadas e preparadas para atacar mal fosse dado o sinal efectivo de ataque, que, por sua vez, chegou até elas através da canção "Grândola, vila morena" cantada pelo Zeca Afonso que seria transmitida à meia noite e vinte minutos e dezoito segundos do dia 25 de Abril de 1974 pela Rádio Renascença. Dizem que Otelo Saraiva de Carvalho foi o comandante operacional da revolução que liderou todas as operações à partir do quartel da Pontinha e dizem que Salgueiro Maia foi o capitão que liderou a coluna militar de tanques que marchou de Santarém para Lisboa. Dizem que na altura dos factos o Presidente do Conselho de Ministros do Estado Novo, que sucedeu a Salazar em 1968, era o Prof. Marcello Caetano e dizem também que ele nem sequer era má pessoa. Muitos, inclusive, dizem...que ele era um homem muito excepcional. Por fim, dizem que o presidente deposto refugiou-se no quartel do Carmo mas acabou por render-se logo no 1º dia e que os destinos da nossa nação foram entregues ao General António de Spínola - que não era tão excepcional - e que, por ser tão bom presidente, desistiu deste cargo nem passados 4 meses depois. Dizem que aconteceram todas essas coisas e mais algumas que não mencionei aqui, mas confesso que, a cada ano que passa, sinto cada vez mais dificuldades em relembrar-me de tudo isso, de tal modo este acontecimento histórico se vê coberto pela indiferença e pelo manto do esquecimento de toda a Nação Portuguesa. Não sei a quem pertence a maior fatia da culpa, se é das escolas e do seu modelo de ensinamento que a cada dia que passa revela cada vez mais a sua tremenda ineficácia, se é dos pais e da educação que não são capazes de dar em casa, se é da Assembleia da Republica e das leis que não são capazes de aprovar por falta de entendimento ou do Governo e das politicas sociais que não ousa colocar em prática por medo da agitação social que isso possa criar, apenas sei que por este caminhar qualquer dia as gerações mais novas ainda vão entoar, que nem as músicas de um trovador numa praceta, que o 25 de Abril foi executado pelo Salazar para derrubar o governo do Spínola. Na sondagem realizada pela Pitagórica, que o Jornal de Noticias (JN) publicou hoje, já se tornou possível perceber o quão desligada a sociedade já mostra ser sobre todos os contornos deste assunto e de todas as verdades que o esforço de Abril deixou-nos em forma de herança, por ter libertado uma nação inteira do seu sofrimento, a única verdade que perdura hoje é que...temos feriado e, feito bem as contas, já só isso nos importa.

03/02/2019

Sobre a minha sogra...

Sempre me considerei um bom ouvinte, mas ainda assim, houve um tempo em que eu não tive paciência nenhuma para aturar ouvir a minha sogra. Era como se fossemos cão e gato um para o outro, eu estava num patamar demasiado avançado para ela, e ela ocupava um patamar demasiado baixo para mim. Mas como ninguém gosta de dar parte de fraco, sobretudo aqueles que vêem a sua fragilidade crescer à medida que a idade avança, por cada boa ideia que me vinha à cabeça a fim de melhorar as (fracas) condições da nossa casa, ela teimava sempre em ser a voz do "contra", e, após ver-me confrontado por tamanha resistência, acabávamos sempre por discordar de tudo e virar costas um ao outro em vez de fazer a nossa vida avançar. Houve um tempo em que cheguei mesmo a detestá-la a ponto de querer insultá-la. Era um verdadeiro absurdo. Não lhe desejava mal algum, porque isso também não sou capaz de desejar ao meu pior inimigo, mas de toda a vez que a minha vida ganhava a possibilidade de seguir em frente, tinha sempre aquela pessoa para obstruir o meu caminho e destruir todas as minhas pretensões de fazer seja o que for. O meu sogro já tinha falecido há anos, e eu, como novo "patriarca" da casa, queria melhorar algumas coisas para limpar o cheiro antigo e trazer um ar mais fresco para o nosso lar. Mas embora tivesse algum dinheiro para investir, ainda assim não era suficiente e havia a necessidade de recorrer ao Banco, e este, por sua vez, exigia-me determinadas garantias para que o empréstimo pudesse ser concedido. Mas como a minha sogra sempre teve medo de "modernices", e sentia-se de certo modo desprotegida, as minhas intenções acabavam sempre afogadas em águas de bacalhau e nunca tive a possibilidade de fazer nada. E era por isso que discutíamos muito, que nos maltratávamos mutuamente - ainda que nunca tivesse havido nenhum insulto pelo meio -, que ficávamos constantemente à defesa, e ao ataque, que não éramos capazes de confiar, de trocar sorrisos, de fazer "festa", que fazíamos por desprezar a presença um do outro sempre que estávamos sentados à mesa, e que éramos capazes de partilhar todo o tipo de sentimentos um pelo outro, menos amor e respeito. Muitas vezes era confrangedor, mas, nos limites da decência, e da tolerância, e com maior ou menor dificuldade, lá conseguimos respeitar o espaço destinado a cada um. Só que entretanto a minha sogra ficou gravemente doente, e, como resultado dessa sua doença, ficou debilitada e acamou poucos meses depois. Como nunca equacionamos a opção de metê-la num lar de 3ª idade, nem havia nas nossas famílias qualquer tipo de tradição nesse sentido, a minha mulher teve que deixar o seu emprego para cuidar dela e desde então temos sido nós a cuidar dos destinos da casa. Algumas coisas dentro dela melhoraram entretanto, como é óbvio, mas nunca na linha dos planos que estabeleci nem daquilo que desejava ter feito. O problema (ou a sorte) é que a nossa vida está sempre a mudar, a reformular-se, a reinventar-se, e ao mudar, as circunstâncias também mudam, trazendo com elas novas sinergias que teremos inevitavelmente que assimilar e irá exigir de nós uma necessária e adequada adaptação. Quando a (nossa) realidade ganha outra forma, mudam-se também todos os objectivos traçados até a data, e passamos a estabelecer novas prioridades. É o tipo de coisas que tanto serve para mim como para o resto do mundo. Quando o mal nos bate à porta tudo aquilo que até aqui parecia ser prioritário muitas vezes deixa de o ser e passa para um plano secundário. Mas a nossa grande prioridade essa nunca mudou. Foi (e será) sempre trabalhar no sentido de garantir o bem estar da nossa família. "Ohana significa família. E família significa que ninguém fica para trás ou é esquecido", dizia aquela menina do "Stitch" e muito bem. Em suma, e como já disse mais acima, houve um tempo em que cheguei a detestar a minha sogra até quase parecer absurdo. E já por isso, talvez se justifique o seu ar de espanto, de confusão, de incredulidade, e de silêncio...de cada vez que me vê pegar nela ao colo para deitá-la na cama ou levá-la à casa de banho, que me sento ao lado dela para cortar-lhe as unhas das mãos ou vê-me de joelhos para lavar-lhe os pés ou meter um creme hidratante nas suas pernas.

Há dias, enquanto lhe fazia um curativo com betadine por causa de uma unha encravada, senti que ela estava a observar-me. Percebi o seu olhar e não consegui disfarçar um sorriso. Não te preocupes, linda sogrinha, comigo estarás sempre segura. E não fiques assim tão confusa. Não foste a única e nem sequer a primeira pessoa a julgar que me conhecia quando na verdade...nada sabia sobre mim.

22/01/2019

Uma verdade irrefutável... :)))

Uns dos maiores pensamentos ouvidos até hoje....

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Os homens mentiriam (MUITO) menos se as mulheres fizessem menos perguntas...
(Nelson Rodrigues)

21/01/2019

Quer fazer um suquinho de laranja muito gostoso?



Mas que raio de pergunta, ó genti! pêras, obviamente!
E se fô um suquinho di pêra, tem qui usá melância, beleza?
(Ou banana grande, como tu...)
Laranjas é qui não, cara, sinão vai estragá tudo.
E não esqueça di metê sal, pimenta e malagueta no final, prá ficá mais gostosinho...

19/01/2019

Bifes à Parmegiana

(Post em modo repeat do blogue "As receitas do Pensador")

Se há coisa que apreciamos bastante nesta casa é comida italiana. Mas há um prato que gostamos especialmente de comer, e que, apesar de parecer italiano, fiquei a saber com alguns tons de surpresa que ele é de origem Brasileira. São os famosos "Bifes à Parmegiana" ou "Filé à Parmegiana", e são uma verdadeira iguaria para os mais novos. Trata-se de um prato muito versátil que pode ser confeccionado com carne de Porco, Frango, Peru ou Vaca e que pode ser acompanhado por Massa "al dente", batata frita ou arroz branco. Gosto muito de confeccionar este prato e tornou-se, inclusive, a verdadeira especialidade da nossa "Maison". Quando os meus filhos convidam outros amigos para comer cá em casa, ficam logo eufóricos apenas por saberem qual irá ser o teor da ementa. Também pudera. Um prato que leva panadinhos de carne, molho de tomate, queijo derretido, e o cheirinho delicioso do orégão e manjericão fresco, mas qual é o miúdo que consegue resistir a tudo isso? Só se estiver doente e mesmo assim não sei. Se tivesse dinheiro para investir num TAKE AWAY, sei que este prato ia causar um tremendo impacto. Estou certo que faria o maior sucesso já que, com ele presente, seria muito fácil esquecer aqueles panados todos secos e queimados que habitualmente costumamos encontrar por lá. Por vezes, quando vejo certas coisas à venda em restaurantes, costumo pensar para mim. «Este pessoal só gosta de comer palha, mesmo». Assim, também não me admira nada que depois sejam tratados como burros...

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Ingredientes para 4 pessoas:

Para os panados:
- 4 Bifes da carne que mais gosta (Vaca, Porco, Peru ou Frango, mediante o gosto de cada um)
- Pão ralado q.b.
- 1 limão
- 2 Dentes de alho
- Farinha de trigo q.b.
- 2 Ovos batidos
- Sal e pimenta q.b.

Para o molho de tomate italiano:
- 1 lata grande de tomate pelado
- 1 Cebola
- 1 folha de louro
- 3 dentes de alho
- Azeite extra virgem
- Manjericão fresco ou Orégão
- Açúcar
- 1 colher de chá de cominhos
- Sal e pimenta q.b.

Para a decoração:
- Queijo Flamengo ou Mozarela, fatiado
- Queijo Flamengo ou Mozarela, ralado
- Algumas folhas de Manjericão fresco

Preparação:

Tempere a carne que escolheu com sal, pimenta a gosto, o alho picado, o sumo de limão espremido e deixe marinar por pelo menos 1 hora. Bata 2 ovos numa taça e reserve. Coloque a farinha de trigo num prato, o pão ralado noutro e verta os ovos batidos também dentro de um prato. Pegue em cada pedaço de carne e, um a um, siga a ordem seguinte: Primeiro passe por farinha - bata um pouco com as mãos para que a farinha penetre bem na carne -, depois passe pelo preparado de ovo e por fim passe pelo pão ralado. Pegue nos "panados" e frite-os em óleo a ferver mas sem deixar queimar. Reserve tudo dentro de um tabuleiro que depois possa ir ao forno.

Numa panela funda coloque a cebola cortada finamente, o alho laminado, e regue com 3 colheres de sopa de azeite. Triture o tomate pelado com uma varinha mágica e reserve. Em fogo médio deixe suar um bocadinho a cebola até ela ficar translúcida e depois junte o tomate triturado, o louro, os cominhos, sal, pimenta, 1 litro de água e uma colher de sopa de açúcar (para ajudar a retirar a acidez do tomate). Deixe cozer lentamente durante cerca de 1 hora e acrescente mais um pouco de água se o molho reduzir demasiado. Quando o molho estiver quase pronto, junte um punhado de manjericão fresco, corrija o sal, mexa e reserve.

Coloque uma fatia de queijo sobre cada panado (dentro do tabuleiro para ir ao forno), coloque uma quantidade generosa de molho por cima de cada um deles e polvilhe com queijo ralado. Coloque o tabuleiro no forno à temperatura de 220º e deixe gratinar cerca de 20 a 30 minutos até o queijo derreter e ficar com a cobertura com um aspecto mais "tostadinho", mas tendo o cuidado de não deixar queimar demasiado. Retire do forno, decore com umas folhas de Manjericão e pode servir.

Et voilà, bon appétit!

18/01/2019

Muito cuidado com aquilo que desejas...porque pode acontecer...

Através de um comunicado divulgado na sua página oficial, o Sport Lisboa e Benfica (SLB) reagiu, na passada quarta-feira dia 16, à detenção do "hacker" informático Rui Pinto pelas autoridades da Hungria, sujeito esse que alegadamente terá sido o autor do roubo da correspondência electrónica do clube das águias ao longo dos últimos meses, afirmando que é o "tempo de justiça e verdade".
Ou por outras palavras, o clube da Luz considera que a detenção do tipo que, ao longo dos últimos meses, foi alegadamente responsável por denunciar as práticas criminosas e fraudulentas do SLB às autoridades e que originou, inclusive, à detenção de Paulo Gonçalves por suspeita de prática de corrupção, no âmbito do processo e-toupeira, seja um passo determinante para que a justiça seja feita e a verdade seja revelada...

Muito bom, sim senhor...

12/01/2019

Os pecados da carne...

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Vamos ser francos. Nos inícios de cada mês, quando temos que ir às compras a fim de gastar aquela fortuna escandalosa que muita gente conhece por "ordenado mínimo" e que muitos patrões se gabam de pagar aos empregados sempre que choram a fraca rentabilidade das suas empresas, nunca vos deu uma particular sensação de leveza na carteira alma sempre que fazem uma passagem pela secção do talho? Acreditem, todos os meses pagamos o aluguer da casa, a água, luz, telefone, telemóvel, Tv cabo, roupas, massa, arroz, etc., mas nenhum deles cria um desbaste tão grande na nossas finanças como a porcaria do talho. E como este blogue não trata apenas questões relacionadas com futebol, e não se limita a mostrar ordinarices, rabinhos lindos e "mães Natal" em mini-saia, hoje como sinto que estou particularmente de mãos largas, decidi dar-vos um conselho completamente gratuito. Sim, ouviram mesmo bem, é um conselho muito valioso e vai ser totalmente de borla. Vou ensinar-vos como podem poupar todos os meses dezenas ou até centenas de euros através de um truque muito simples e tudo isso sem que tenham de pagar-me um único tostão. Uauuu! fantástico! sou ou não sou um amigo do melhor? (ok, ok...parece-me bastante óbvio que não são forçados a responder, e, não, não tem nada a ver com o eventual receio de poder não gostar de ouvir a vossa resposta). Por isso aqui vai: Doravante, sempre que forem ao talho comprar carne ao quilo, aprendam a avaliar melhor as vossas necessidades e peçam sempre um valor abaixo daquilo que necessitam comprar. Por exemplo, se precisarem de 1 Kg de Rojões, peçam 800 gramas, e se precisarem de oitocentas gramas, peçam apenas seiscentas. E digo isto porquê? Porque seja aqui em Portugal, seja na Nicarágua, na Indochina ou no Japão, os talhantes partilham todos uma linguagem universal e parecem padecer todos do mesmo mal. É verdade, para além de falharem sempre o peso pedido pelo cliente, parece incrível que os "falhanços" sejam sempre feitos numa linha ascendente colocada na vertical. Se pedimos um quilo, colocam sempre quilo e duzentas, ou trezentas, e se pedirmos meio quilo, a balança nunca pesa nada que seja inferior às setecentas ou oitocentas gramas. "Ultrapassa um bocadinho caro freguês, pode ficar assim?"."Sim....poooode" (que remédio). Ora essa, como é fácil de adivinhar, como resultado de tudo isto temos o desgraçado do cliente que, para não correr o risco de parecer sovina nem gostar propriamente de fazer cenas em público, acaba sempre por sentir-se psicologicamente "pressionado" a ter de levar uma quantidade de carne bastante mais inflacionada em termos de custo, como também superior aquilo que realmente necessita, e, como em casa nem sempre existe espaço no congelador para armazenar os atropelos excessivos trazidos do talho, muitas vezes cria-se ali um problema de difícil resolução e somos forçados a inventar. Ou cozinha-se tudo e depois acaba-se por comer bastante mais acima da nossa dose habitual, com pena de estragar comida, promovendo dessa forma a gula e maus hábitos alimentares que mais tarde também promovem doenças; ou mete-se uma quantidade absurda de restos para o lixo, insultando a nossa pobre carteira e todas aquelas pessoas que passam fome no mundo e não tem nada para comer; ou, por fim, reformula-se todo o programa idealizado para as nossas refeições do dia e fica estabelecido comer rojões ao meio dia e à noite, que é aquilo que normalmente acontece na minha casa. E mesmo que ao meio dia seja rojões com ketchup e à noite seja rojões com maionese, acreditem que não muda rigorosamente nada. O almoço vai saber-vos bastante bem e o jantar vai saber-vos uma grande porra. Por isso, se precisarem de um quilo e pedirem 800 gramas, ficarão espantados por ver o talhante acertar em cheio no quilo que realmente faziam tenção de comprar (é incrível! nunca falha, mas se falhar também não faz mal, basta pedir-lhe amavelmente que coloque só mais um "pedaçinho" na balança), e, assim, poupa-se comida, dinheiro, e evitam-se muitos desperdícios e aflições...

Eu sei que, assim, de pronto, poderão sentir a tentação de dizer que o meu truque não representa novidade nenhuma e que já toda a gente sabia disto, mas se avaliarem melhor tudo o que foi dito aqui, talvez seja mais justo dizer que bem mereço as vossas palmas como sinal de agradecimento. Ok, ok...e dai talvez não...