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Bem vindos ao inferno.

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E poucos meses decorridos após a tragédia de Pedrógão Grande que, como bem se lembram, matou 64 pessoas devido aos incêndios, eis que volta a acontecer uma nova tragédia em Portugal como resultado dos 523 fogos florestais que fustigaram o nosso país no dia de ontem e à custa dos quais já morreram 35 pessoas até agora. Já não tenho palavras para descrever tudo isto, chega até a parecer ser demoníaco o que está a acontecer à nossa volta. Demoníaco, que melhor palavra podemos nós utilizar senão essa para descrever todos estes horrores. Isto não pode ser apenas obra do acaso, tem que haver mais qualquer coisa nesta história que ainda não foi devidamente sinalizada. Pedrógão Grande pode ter parecido uma ironia maldosa do acaso e o resultado de uma série de factores que estavam destinados a correr mal mas 523 incêndios num só dia parece ser uma acção demasiado concertada para que possa ser considerada uma simples coincidência. Até parece que as pessoas estão a ser caçadas através do fogo e que estão a ser conduzidas para autênticas emboscadas mortais. Se nunca tivemos até agora qualquer tipo de historial de mortes provocadas por incêndios sem ser alguns bombeiros heróis que por vezes acabavam por sucumbir ao cansaço e à inalação excessiva do monóxido de carbono, como é possível que hoje em dia possa haver tanta gente a morrer por causa deles? Sim o governo tem culpa, sim a protecção civil tem culpa, a SIRESP tem culpa, a própria sociedade inteira tem culpa, mas mesmo tudo isto junto não consegue explicar tudo. Na minha opinião acho que temos estado a analisar este problema de uma forma demasiado errada. Achamos sempre que os incêndios são o resultado de mãos criminosas, de pessoas doentes, pirómanos e esquizofrénicos que sofrem de problemas mentais e que, por não haver uma legislação adequada, acabam sempre por ser considerados inimputáveis e são libertados poucas horas após terem sido presos. Até agora achamos sempre que cada um deles age por conta própria, sem premeditação, e que não existe qualquer tipo de relação nem nenhuma acção coordenada entre eles. Mas a pergunta que por vezes me coloco é muito simples: E se existir? E se viermos a descobrir que todos estes fogos florestais tem um propósito bem mais forte e fazem parte de um plano muito bem definido? Quero evitar levar isto para o campo religioso mas tudo aquilo que tem acontecido até hoje tem demasiadas características que combinam demasiado bem com a potencial presença de uma seita satânica. E se na doutrina deles o mundo será consumido pelas chamas quando chegar o dia do juízo final, acho que podem tirar facilmente as vossas conclusões...e elas não devem ser muito diferentes das minhas...

Rescaldos de Pedrógão Grande...#04

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E um mês depois do grande incêndio que matou 64 pessoas, feriu mais de 200 e destruiu várias casas em Pedrógão Grande, e de acordo com a denúncia feita pelo programa "Sexta às 9" da RTP, parece que existem cerca de 13 milhões e 200 mil euros em donativos provenientes de fundos solidários diversos que estão retidos em contas bancárias, geridas por 7 entidades diferentes, à espera de um plano qualquer para gerir a distribuição dessas verbas no terreno (REVITA). O Secretário de Estado da Coesão e Desenvolvimento, Nelson Souza, garantiu ao canal público que o dinheiro iria começar a ser distribuído no final deste mês de Julho mas tratando-se de uma figura politica é sabido que toda a informação debitada por esta carece de precisão e verdade factual, porque, para além de fazerem constantemente promessas que depois não sabem cumprir, os políticos tem sempre a mania de omitir o ano de aplicação das medida que prometeram aplicar já com o intuito de terem uma desculpa para o caso de falhar. Por isso, mesmo que Nelson Souza tenha indicado o mês, esta informação é de todo irrelevante até que ele indique também o ano em que as ajudas irão chegar a Pedrógão Grande (que deverá ser lá para 2000 e troca o passo se não me engano). Para provar a falta de confiança que o país nutre nas capacidades (e boas intenções) dos seus governantes, está o facto de haver várias instituições de renome que decidiram avançar sozinhas na aplicação do dinheiro que vão doar e não quiseram ter nada a ver com o fundo de solidariedade organizado pelo governo. Como bom exemplo disso temos a União das Misericórdias Portuguesas e a Cáritas de Coimbra que já estão a canalizar as suas ajudas no terreno mas também o BPI que vai doar o dinheiro directamente à autarquia de Pedrógão Grande e a RTP que vai ajudar a Santa Casa da Misericórdia local. Acho esta atitude muito bem pensada da parte destes últimos já que dessa forma há pelo menos a garantia de chegar algum dinheiro para ajudar aquela pobre gente. É que se estiverem à espera que haja celeridade do governo, os habitantes de Pedrógão vão morrer todos pobres e secos que nem um pau, coitados. Não é por acaso que o dinheiro está retido em contas. É que depois de deduzir os respectivos impostos, a taxa de ocupação (das contas, também ocupa espaço não?), uma qualquer outra taxa parva de emergência ou coesão nacional, as despesas de manutenção, a criação e elaboração do projecto REVITA, os salários dos profissionais ligados ao projecto (inflacionados em 1000 por cento pelas vias de...), os estudos de impacto ambiental, a prospecção no terreno, o levantamento das necessidades junto da população, gastos de transporte e alimentação em bons restaurantes da região para os governantes, os amigos destes, e também os parentes e família até o 5º grau, enfim...quando eles acabarem de fazer as contas todas, desconfio que, dos 13 milhões e 200 mil euros de ajudas que a região devastada pelos pelos incêndios deveria ter direito, a única quantia que irá conseguir lá chegar vão ser os 200 mil. Ou alguém tem dúvidas disso?
Custa é conhecê-los, porque depois de os conhecer...