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Miguel Relvas não tem dúvidas...


Miguel Relvas, Ministro dos Assuntos Parlamentares, secretário-geral e porta voz do PSD, não alimenta dúvidas de que...
«...Com este governo, inicia-se agora um novo ciclo...»

 Hummm...
Acho que ele está a referir-se aos ciclos escolares...
Com Sócrates, Portugal deixou a primária e agora, com o Passos Coelho, vai conhecer finalmente o 1º ciclo...

E se houver sempre um bom aproveitamento (sem ser através do copianço, como no CEJ), pode ser que daqui a 50 anos se acabe miraculosamente o infantilismo político no nosso país...
Em todo o caso, e antes de chegarmos lá, muitos acabarão forçosamente por morrer de velhice, o que pode ser encarado como um bom prelúdio...
:)))


Para bom entendedor...

Não raras vezes, quando entro de manhã no meu tasquinho de eleição para tomar uma deliciosa torradinha com manteiga acompanhada por uma saborosa meia de leite (pelo menos dá sempre o cheiro disso, mas já o sabor...), acabo por dar comigo a ter conversas surreais com o dono desse café. Acreditem, o tipo é uma preciosidade rara.
Para quem não conseguir ver o filme, diguemos que ele é o tipo de pessoa que raramente tem razão e odeia admiti-lo. É tão narcisista e convencido, que se torna quase impossível levar a bom termo qualquer tentativa de conversa que seja com ele.
Por causa do seu temperamento, não são também raras as vezes que acabamos os dois amuados e de costas voltadas um para o outro.
Mas ele também tem uma faceta bonita. É uma pessoa que não gosta de ficar zangado com ninguém, nem suporta sentir que alguém está zangado com ele.
É por isso que, sempre que nos zangamos, ele deixa passar algumas horas (ou dias!)  e depois acaba por tentar recompor as coisas, através de um bom temperamento, de um sorriso espontâneo, de algumas piadas engraçadas (quem diria!) e de um café (bem tirado desta vez..) que ele insiste em nos oferecer em sinal da sua boa vontade.
Vício ou fruto da sua personalidade, a verdade é que depois das "pazes" feitas, o seu discurso costuma sempre acabar numa frase que lhe é muito peculiar: "Todo o mal que te desejo é que Deus te dê muita saúde".
Ao que eu costumo responder: "E a si, o dobro da saúde que você me deseja..." :))
Ele percebe a brincadeira e ficamos por ali.

Vem isto a propósito de uma notícia que li esta manhã e que colocava em destaque uma afirmação, também ela muito peculiar, proferida pela Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, durante a sua visita a Portugal:

"Brasil poderá ajudar Portugal como Portugal ajudou o Brasil economicamente..." 

Oh Dilma, Dilma...que és mais diplomática do que eu, isso não é de estranhar (nem sequer difícil), mas que consigas dizer isso sem te rires nem um bocadinho, lá nisso, tenho que te tirar o chapéu. És genial.
Mas ao contrário do meu amigo tasqueiro, Portugal (a imprensa neste caso) é que parece não ter percebido a brincadeira...

Houve quem o rotulasse logo de irresponsável...

Mas apesar de não gostar dele, reconheço que este José Sócrates, por vezes, revela uns pormenores deliciosamente inteligentes.
Em tempos de crise e em véspera de eleições, como se justifica uma promessa feita à Concertação Social, cujo acordo assinado com ela, não estamos seguros de poder cumprir?

É fácil..
Lança-se para a praça pública, com uma antecedência estratégicamente bem planeada, a intenção de subir o ordenado mínimo para 450 euros no próximo ano, sendo que o mesmo - apesar de parecer muito pequeno aos olhos da classe operária - vai cair muito mal no mundo empresarial devido ás dificuldades criadas pela crise financeira que assola no mundo inteiro.

E resultado!
José Sócrates ganha um "bode expiatório" para justificar o possível não aumento ou o aumento irrisório do salário mínimo no próximo ano (Eu quis! eu quis!...mas eles é que me cortaram as pernas!), ganha mais simpatia popular por passar a imagem de que está a remar a favor da população e ainda por cima...consegue ganhar o bónus suplementar de colocar o PSD no patamar do ridículo, quando esse partido viu a sua líder afirmar que o "Aumento do salário mínimo era um acto irresponsável".(Manuela Ferreira Leite caiu que nem um patinho!)

Realmente, melhor é praticamente impossível...