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Porque estamos numa de falar de Amor...

Porque adoro melodias e porque sempre adorei também o Jean Jacques Goldman e a Celine Dion...acho que nada parece mais adequado e inteligente neste grandioso dia de Eleições Autárquicas - no qual tornou-se necessário criar uma série de programas alternativos para além do Sporting-Porto que vai ser transmitido na Tv logo à noite por volta das 19H00 a fim de distrair a população e fazê-la esquecer a palhaçada que se tornou participar nas eleições realizadas em Portugal - do que relembrar a linda parceria que ambos fizeram no passado e que trouxe ao mundo da música um dos mais belos temas que estes meus ouvidos sensíveis tiveram o prazer de ouvir. Deixo aqui o video e a tradução da letra que fiz em Português para que possam apreciar melhor a beleza deste trabalho francês. Dizem as más línguas que o Tony Carreira é capaz de querer plagiar também esta música à semelhança do que já fez com outros temas do Jean Jacques Goldman e, se assim for, entendo-o perfeitamente porque para além de ser muito raro alguém ter a capacidade de gerar ideias novas, muitas vezes a letra de uma música consegue ser tão profunda e tocar tão directamente o nosso coração que, por vezes, achamos que ela está a contar a nossa história e acabamos por assumi-la como nossa.




Je rêve son visage je décline son corps                                            Sonho com o seu rosto mas recuso o seu corpo
Et puis je l'imagine habitant mon décor                                           E depois imagino-o dentro do meu quadro de vida
J'aurais tant à lui dire si j'avais su parler                                          Teria tanto para lhe dizer se tivesse sabido falar
Comment lui faire lire au fond de mes pensées?                              Como fazê-lo compreender aquilo que sinto por dentro?

Mais comment font ces autres à qui tout réussit?                             Mas como fazem aqueles que conseguem tudo?
Qu'on me dise mes fautes mes chimères aussi                                 Digam-me quais são os meus erros e quimeras também
Moi j'offrirais mon âme, mon c?ur et tout mon temps                     Eu daria a minha alma, meu coração e todo o meu tempo
Mais j'ai beau tout donner, tout n'est pas suffisant                           Mas mesmo dando tudo de mim, esse tudo não chega

S'il suffisait qu'on s'aime, s'il suffisait d'aimer                                Se fosse suficiente amar-nos, se bastasse amar
Si l'on pouvait changer les choses, rien qu'en aimant donner         Se pudéssemos mudar as coisas apenas com o prazer de dar
S'il suffisait qu'on s'aime, s'il suffisait d'aimer                                Se fosse suficiente amar-nos, se bastasse amar
Je ferais de ce monde un rêve, une éternité                                     Faria deste mundo um sonho, uma eternidade.

J'ai du sang dans mes songes, un pétale séché                                 Tenho os pensamentos a sangrar, uma pétala que secou
Quand des larmes me rongent que d'autres ont versées                   Quando há lágrimas que roem-me e que outras derramaram
La vie n'est pas étanche, mon île est sous le vent                             A vida não é estanque e minha ilha está exposta ao vento
Les portes laissent entrer les cris même en fermant                         As portas deixam entrar os gritos mesmo quando fecham

Dans un jardin l'enfant, sur un balcon des fleurs                              Num jardim a "criança" numa varanda de flores
Ma vie paisible où j'entends battre tous les c?urs                             Vive uma vida tranquila onde escuta o bater dos corações
Quand les nuages foncent, présages des malheurs                          Quando as nuvens escurecem, qual presságio de infortúnios
Quelles armes répondent aux pays de nos peurs?                             Que armas respondem melhor no país dos nossos medos?

S'il suffisait qu'on s'aime, s'il suffisait d'aimer                                 Se fosse suficiente amar-nos, se bastasse amar
Si l'on changeait les choses un peu et tout recommencer                 Se mudássemos um pouco as coisas para tudo recomeçar 
S'il suffisait qu'on s'aime, s'il suffisait d'aimer                                 Se fosse suficiente amar-nos, se bastasse amar
Nous ferions de ce rêve un monde                                                    Nós faríamos deste sonho um mundo
S'il suffisait d'aimer                                                                           Se bastasse amar...


Todos somos iguais, mas uns mais do que outros...

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Imagem da Net

Aires Henrique do Couto Pereira, casado, 53 anos e presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. Acho que devo alimentar um interesse qualquer por este homem, caso contrário, como seria possível para alguém que não vive na Póvoa e odeia o mundo da politica como eu, conseguir lembrar-me de coisas que este sujeito lembrou-se de fazer há vários anos atrás? Acho que é por ele ter aspecto de quem sabe fazer toda a gente de lorpa quando precisa sem deixar de manter aquele ar imaculado de politico honesto e honrado. Senão vejamos. Decorria o ano de 2013 quando, em véspera de Eleições Autárquicas e numa altura em que eu andava desempregado, desfolhava as páginas dos jornais todos da região à procura de uma boa oportunidade profissional ou qualquer uma que pudesse ajudar-me a colocar comida sobre a mesa e pagar as contas da casa. Certo dia chamou-me a atenção a noticia de um qualquer jornal (e que hoje voltei a encontrar aqui) que dava conta, quase em letras garrafais, de que a PARFOIS (empresa multinacional portuguesa) tencionava instalar um centro de distribuição no Parque Industrial de Laundos, concelho da Póvoa de Varzim, após terem decorridos vários meses de intensas negociações com a respectiva câmara municipal. Nessa altura, surgiu no jornal a fotografia de um Aires Pereira todo sorridente que prometia que o acordo estava para muito breve e que ele iria permitir a criação de 140 postos de trabalho num concelho bastante fustigado pelo desemprego. Como eu possuía uma vasta experiência no ramo da logística, vivia no concelho da Maia e tinha transporte próprio, e a distância até a Póvoa não me parecia um obstáculo assim tão difícil de superar, tomei imediatamente toda uma série de diligências a fim de agarrar aquela oportunidade de trabalho. Receando que o meu currículo vitae pudesse ficar esquecido na gaveta de um qualquer empregado calaceiro e, por vias disso, não me fosse dada a oportunidade de me apresentar, tomei a iniciativa de ligar directamente à PARFOIS e tentar promover a minha imagem junto deles para que me fosse dada a possibilidade de comparecer a uma entrevista. Qual não foi o meu espanto quando, do outro lado da linha, a menina simpática dos recursos humanos dava-me a garantia absoluta de que as noticias que circulavam nos jornais eram todas falsas e que a PARFOIS nunca teve intenções de instalar seja o que for no concelho da Póvoa de Varzim. Fiquei incrédulo, decepcionado e extremamente revoltado. Pode-se brincar com muitas coisas, mas não se devia brincar com quem vive no desemprego e procura uma forma de possibilitar o seu sustento. Enfim, é o mundo que temos e mesmo magoado com a falta de escrúpulos e as mentiras que o mundo da politica caga a toda a hora - e que eu já devia estar fartíssissimo de saber - segui a minha vida e esqueci o assunto...até hoje.

Julgava ter esquecido o assunto, de facto, mas porque estamos novamente em véspera de Eleições Autárquicas e nestas horas torna-se imperioso haver mais boas noticias colossais para encher as páginas dos jornais no sentido de conquistar simpatias e os votos dos eleitores, não é que um desses dias li na Net que este citado senhor voltou a anunciar a chegada de outro gigante da logística, desta feita a MERCADONA que, coincidência do caraças, também escolheu o Parque Industrial de Laundos para albergar um centro logístico da famosa cadeia de hipermercados espanhola?. E para que vai servir essa plataforma logística? hein? hein? Sabem? Pois...esta é a parte mais engraçada da noticia porque, segundo a mesma, vai servir para abastecer os 4 supermercados que a MERCADONA planeia abrir em 2019 no norte de Portugal sendo garantido para já que 2 deles irão situar-se em Matosinhos e Gaia. Ora digam lá se isto não é um verdadeiro golpe de sorte para a Póvoa? E estes espanhóis devem ser mesmo estúpidos, diga-se também de passagem, por instalar um centro logístico tão afastado das suas reais necessidades. Com estas politicas de expansão e exploração de mercados, nem sei como é que eles conseguem ganhar tanto dinheiro e ser tão bem sucedidos naquilo que fazem...
Enfim, já sei que no mundo da politica todas as tretas são permitidas-desde-que-ninguém-se-lembre-delas para ganhar votos e, se calhar, o presidente da Câmara da Póvoa está apenas a demonstrar a sua auspiciosa faceta de bom politico. Mas se isto não passar de falsa propaganda, sinto apenas alguma pena que se esteja a brincar desnecessariamente com algo tão sério como o desemprego e aquilo que poderá vir a tornar-se o sustento de uma família. Hoje tenho emprego e sinto-me bastante abençoado e realizado naquilo que faço, mas num passado recente estive numa situação bastante delicada e acho errado encher as pessoas com esperanças infundadas de que existe terra à vista, uma solução no fim do túnel, e fazê-las caminhar numa direcção errada, levando-as a perder se calhar outras oportunidades menos interessantes mas mais reais (na expectativa de agarrar a melhor), sem falar do tempo desperdiçado e alguns recursos que poderão ser-lhes preciosos. É certo que, provavelmente, o sr Aires Pereira irá ganhar as eleições na Póvoa - cenário esse que passa completamente ao lado do meu interesse - até porque é sabido que o povo português é muito criterioso nestas coisas e costuma sempre votar no candidato que oferecer mais calendários, Pins, réguas, porta-chaves e canetas (dizem que em Braga até já oferecem chouriços). Tem sido assim desde sempre e duvido muito que alguém consiga mudar isso. Foi assim ontem, é assim hoje e não será num amanhã demasiado próximo que conseguiremos mudar o disco.