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A ocasião...faz o ladrão...

E aquele momento em que...esbarramos na interminável fila dum hipermercado para pagar uma lata de salsichas e um pacote de leite do mais barato, olhamos para o chão e damos de caras com um carrinho cheio de alimentos "dieta light e iogurtes 0%" no meio do caminho como se estivesse ali para marcar a vez de uma barbizinha qualquer, depois olhamos à nossa volta para tentar descortinar quem foi a tonta que teve aquela brilhante ideia, e, não surgindo ninguém nas proximidades de ar suspeito ou com cara de boneca, aprontamos o nosso pé para dar um valente biqueiro na porra do carrinho para arrumá-lo da nossa frente quando de repente surge uma senhora ao nosso lado com cara de quem parece estar bastante aflita - sem ser aquela que fazemos quando precisamos de ir à casa de banho -, que se anuncia como sendo a dona do engenho e convida-nos a passar à sua frente já que andava à procura da carteira que pousou algures dentro do Hyper, por cima de uma prateleira, mas que infelizmente já não conseguia lembrar-se onde? Talvez naquele momento, encorajada pelo meu ar altruísta e amistoso, que apesar dos meus incessantes esforços...nunca perdi definitivamente, estivesse na realidade a apelar pela minha ajuda no sentido de procurar a carteira juntamente com ela, mas desencorajado pelo tamanho infindável da fila, limitei-me apenas a agradecer-lhe toda a sua gentileza e passei-lhe à frente sem mais demoras, fazendo-lhe tantas vénias como faria se fosse chinês. E é nesse momento que vejo o casal "Pipas" que vegetava à minha frente, ele a meia pipa e ela a pipa e meia, que decidem sair quase espontaneamente da fila, deixando escapar um "Oh, esqueci-me do leite" (sim, de soja, suponho...) para justificar tal atitude, quando bastava que tivesse sido um a ir buscá-lo e o leite estava mesmo ali à mão de semear. Assim, num repente ganhei 2 posições na escala dos afortunados, como se de uma lotaria se tratasse, e a fila deixou logo de me parecer longa quando senti que já podia pousar a minhas compras sobre o tapete rolante, e enquanto abençoava essa inesperada e pouco habitual sorte que me calhou na rifa, não deixei de pensar naquela doce e simpática mulher, de olhos verdes, voz meiga e cabelos brancos aos caracóis, que naquela hora ainda devia andar à procura da sua carteira, e fiz figas para que fosse ela a encontrá-la primeiro em vez daqueles dois mastronços obcecados por leite de engorda, porque se tiver o azar de ser eles...Ciao...Ciao Maria...adeus viola...

Diz que foi o Dia da Mulher...

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Imagem da Net

Anteontem celebrou-se o Dia Internacional da Mulher. Desculpem-me se venho falar disso só agora mas uma série de acontecimentos indesejados tem-me desgastado de tal modo que, confesso, acabei por acusar algum cansaço emocional e fiquei sem vontade nenhuma de escrever. Mas verdade também seja dita, tenho a confessar que detesto esse dia. Detesto-o porque enquanto ele existir isso quer sobretudo dizer que o mundo continua desigual e que as mulheres continuam a ser penalizadas, maltratadas e descriminadas, num planeta onde prevalece sobretudo a vontade dos homens. Assim, sonho acima de tudo com o dia em que o Dia da Mulher deixe de fazer qualquer sentido. O dia em que homens e mulheres tenham ambos deveres e direitos iguais. Eu sei que ainda estamos muito longe disso e que por vezes parece que nem vale a pena sonhar muito com isso, mas lá diz o poeta...tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Enfim, um pouco por todo o mundo multiplicaram-se iniciativas e imbecilidades de todo o género para marcar este dia, seja porque existe sempre algum aproveitamento económico ou politico que algumas entidades gostam de fazer desta data, seja porque é sempre um óptimo pretexto para fazer uma farra/festa e dar umas cambalhotas com o padeiro da esquina, ou seja porque existe alguma convicção de que há muito trabalho por fazer até nivelar as coisas entre homens e mulheres e este dia é sempre uma boa oportunidade para incluir este assunto na agenda politica, mas aquilo que me faz imensa confusão é sobretudo a forma como muitas vezes alguma gente tenta passar uma espécie de imagem de gratidão, respeito e reconhecimento, pelos serviços prestados e pelo papel activo que a mulher desempenha tão diligentemente na sociedade, mas em vez disso, acaba por maltratá-la ainda mais, quando não chega mesmo ao ponto de ofendê-la com um cinismo tão evidente que chega a parecer quase sexismo. A Cristina Ferreira foi logo das primeiras oportunistas celebridades a mostrar a cara nesse dia, ou melhor dizer, o peito, ainda que tivesse sido feito de uma forma mais ou menos discreta, sem dar muitas possibilidades de que pudessem ver-lhes os mamilos por debaixo do seu mini-vestido, já que ela decidiu celebrar o Dia da Mulher sem sutiã como forma de provar a "pouca importância" que ela costuma atribuir a este dia. Isto agora é assim, quando se quer dar pouca importância a alguma coisa vai-se tirando peças de roupa até ficar do mesmo jeito que estava o menino jesus quando nasceu. É uma espécie de "Strip-ideológico" cuja inspiração talvez tenha surgido numa visita que Cristina possa ter feito à Eros Porto 2018. Primeiro tira-se o sutiã, depois as cuequinhas, depois o mini-vestido e por ai adiante, até que, por fim, temos a Cristina no seu habitat natural. Tirei o sutiã porque considero este dia normal...mas quem é que aquela mulher pensa enganar? Tirou o sutiã porque isso atrai o público e no esplendor dos seus 40 anos ela continua a ser uma mulher sensual e quer vender mais revistas enquanto não atingir a idade gelatinosa da Lili Caneças. Sim gelatinosa, é aquela idade onde cada parte do nosso corpo parece quase feita de gelatina de tão rija que é.
E que dizer da MCDonalds, essa gigantona multinacional criadora de miúdos obesos? Aposto que muita gente deve ter-se fartado de elogiar a atitude da McDonalds que, pela primeira vez na sua história, teve a terrível e brilhante ideia de virar o seu logótipo de pernas para o ar nos cerca de 100 restaurantes da cadeia de fast-food que possui nos Estados Unidos, para revelar um "W" no lugar do habitual "M" e fazer referência ao termo "Woman" (mulher), com o objectivo(?) de honrar as "extraordinárias conquistas das mulheres em todo o mundo e especialmente nos nossos restaurantes", disse Wendy Lewis, responsável pelo departamento de diversidade da McDonald's num comunicado. Aparentemente talvez isto tenha parecido uma boa ideia para uma grande parte do mundo, que poderá ver nisto um manifesto elogio ao papel das mulheres, mas lamento dizer que nada poderia estar mais longe da verdade. Foi uma grande palhaçada isso sim!
Confusos? mas olhem que no entanto isto até é bem fácil de ver. Eu sei que tenho um dom extraordinário para ver estas coisas, e isso talvez faça de mim um dos tipos mais odiosos que existe à face da Terra porque não só tenho o vício de matar a "fantasia" que muita gente gosta de alimentar como ainda por cima consigo transformar frequentemente algo aparentemente belo numa extraordinária porcaria, levando muita gente a "odiar-me" pelo meu atrevimento. E o que foi que eu vi afinal, querem vocês saber? Bem...para perceberem como eu, terão que abandonar um bocadinho essa ideia linda de que no mundo é perfeito e só existem pessoas boas e seguir a mesma linha de raciocínio que segui antes de puxar o autoclismo e atirá-la pela retrete abaixo. A McDonalds tinha um "M" (man) mas depois decidiu virá-lo de pernas para o ar para dessa forma obter um "W"(woman)....
A sério que ainda não viram nada de mal? Ok, vou tentar explicar isto um bocadinho melhor.Temos aqui um homem (M) mas se o virarmos de pernas para o ar, obtemos dessa forma uma mulher (W)...ou por outras palavras ainda, a imagem da mulher continua a ser aquela que apenas resulta do homem e que se reconhece por estar de pernas abertas para o ar. Ora digam-me lá se isto não é simplesmente repugnante? E não sabem ainda a melhor, o cinismo dessa companhia é tão grande que, para festejar o Dia da Mulher, deixou alguns dos seus restaurantes dar folgas aos homens e ficaram apenas as mulheres a trabalhar. Hilariante, a sério que eu pasmo com isto...e pasmo mais ainda por ser talvez o único a fazê-lo...