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Haja paciência...*

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Há uns tempos atrás tinha por hábito seguir uma rotina matinal mais ou menos bem estabelecida. Acordava por volta das 7H00, dava um murro no despertador, levantava-me, tomava um banho, vestia-me, dirigia-me a pé para uma pastelaria situada aqui perto da minha zona, tomava uma meia de leite morna (depois de arrefecer 2 horas) e lia o jornal "O Jogo" para inteirar-me sobre as noticias realmente importantes. Sim eu sei, muito mal vai este mundo quando já só existe o desporto para captar a minha atenção. Depois,  às 7H20 mais coisa menos coisa, largava o jornal, pedia 6 pães quentinhos, pagava a minha conta e depois de passar outra vez por casa seguia calmamente para o meu trabalho. Mas eis que certo dia algo aconteceu. Começou a aparecer na pastelaria por volta das 7H10 uma senhora na casa dos 50 ou 55 anos, baixinha, redondinha, ai por volta dos 100 Kg de peso (nunca tive muito jeito para avaliar idades...nem pesos) que, aparentemente, também nutria os mesmos interesses que eu em relação a leituras de jornais. E mesmo tendo o "Jornal de Noticias" à disposição, com os passar dos dias ela parecia cada vez mais focada e aborrecida com o facto de ter que esperar cerca de 10 minutos para ler o jornal da sua preferência. Não queria esperar por mim, queria chegar ao café e ter logo tudo à mão. Talvez quisesse sentir-se importante, ou melhor, que a sua importância fosse reconhecida pelos outros mesmo que estes últimos não a conheçam de lado nenhum. Uma vez, como a senhora estava sentada na mesa atrás de mim, deu-me para ser simpático e quando terminei a minha leitura virei-me e ofereci-lhe o jornal para ela ler. Ela agarrou o diário desportivo e não me dirigiu uma única palavra. Fez inclusive cara de rica. Não, não estava à espera que ela me desse um beijo de agradecimento, até porque prezo a minha saúde mental, mas confesso que um "obrigado" educado teria sabido bem naquela hora. Depois disso nunca mais fui simpático com ela e passei a ignorá-la. Quando terminava de ler o jornal levantava-me e ia pousá-lo no balcão da pastelaria para que ela fosse obrigada a levantar-se para ir lá buscá-lo. Se ela agiu daquela forma com a intenção de não dar confianças e chamar o respeito dos outros até si, a indiferença era tudo aquilo que ela tinha conseguido ganhar de mim. Temos pena. Mas eis que a senhora mostrou toda a sua esperteza. Alterou o seu horário e começou a esperar pela abertura da pastelaria de modo a conseguir chegar muito antes de mim. O que a maldade não leva as pessoas a fazer. Se fosse para fazer o bem, a hora nunca seria boa ou conveniente e as dificuldades seriam sempre muitas. Estariam sempre muito ocupados ou cansados. Mas quando se trata de fazer o mal, ó diacho, é vê-los a correr. Vão desde o Porto até Lisboa a pé se for preciso. Assim, quando chegava à pastelaria já estava lá o caralho da gorda com o jornal na mão e um sorriso maquiavélico mal disfarçado entre os lábios. Toda ela se ria por dentro. Era uma burra feliz. Podia armar-me em parvo e fazer-lhe algo pior do tipo chegar muito antes dela para ter prioridade de entrada mas como conheço bem o género de pessoa com o qual estava a lidar, sabia que esse confronto iria beneficiá-la a ela por ser de mente saloia e prejudicar-me a mim por ser de mente fresca e aberta. Assim, optei simplesmente por mudar a minha rotina e, em vez de ir à pastelaria, passei a parar na bomba de gasolina que fica no caminho entre a minha casa e o trabalho e onde havia montes de jornais para ler gratuitamente. Não é fugir de uma luta, é reconhecer a nossa superioridade e saber que não há luta sequer.
Lembrei-me de contar-vos esta história porque ontem assisti a algo que fez-me relembrar imediatamente este episódio. Quando fui ao posto de saúde de uma freguesia nas proximidades da minha, com o intuito de levantar umas receitas médicas para a minha sogra, parei num café e dei uma olhada no jornal "Record". Quando terminei de ler, arrumei-o para o lado e, enquanto pagava o meu café, uma senhora também ela na casa dos 50 ou 60 (esta enganava ainda mais) mas muito mais magra que a outra veio muito celeremente agarrar no jornal e escondeu-o debaixo da "NOVA GENTE" que ela estava a ler na sua mesa. A ideia da senhora talvez fosse aprisionar o jornal para que ninguém pegasse nele e pudesse lê-lo depois quando bem entendesse. Uma pura raivosice. Assim, apetece-me perguntar. Mas que raio se passa com esta gente? A maldade percebo-a perfeitamente, no meu dia a dia vejo-a traduzida de múltiplas formas. Não sou como alguns que acham que os seres humanos são bons por natureza. No limite, acho que eles tem tanto de bom como de ruim. O que eu não percebo é o que leva mulheres daquela idade a gostar de ler noticias sobre desporto em geral e futebol em particular. Este mundo lusitano está irremediavelmente perdido...

(*...porque se houver uma janela qualquer dia atiro-me dela...)

Os ricos pobres...

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Delicia-me particularmente ver alguns emigrantes que estão a chegar por esta altura para passar as suas férias em Portugal, depois de, num passado mais ou menos recente, terem ganho alguma má fama na freguesia e saído dela com uma mão à frente e outra atrás para tentar melhor sorte no estrangeiro, e vê-los agora a conduzir um bruto carrão (seja do próprio, roubado ou alugado, isso pouco importa), armados agora em grandes patriotas, buzinando a alto e bom som quando passam junto dos cafés e levantando bem a mão para o pessoal que está na esplanada, como quem está a dizer-lhes:"Olhem cambada de morcões, olhem para mim agora!" e depois não ver ninguém retribuir-lhes o aceno de volta. Delicia-me ainda mais vê-los ao fim de 15 dias, depois de terem bebido uma boa dúzia de finos com Martini ou cervejas, a lamentarem-se da vida com um qualquer outro bêbedo que conseguiram "agarrar" no balcão do café - e que só está lá para beber à custa dele - , dizendo que as pessoas da freguesia estavam cheias de manias e que só lhe tinham inveja, porque quando passava por eles a maioria fingia não o ver ou esforçava-se para não o reconhecer. Não percebo a lógica destes indivíduos. Vão para o estrangeiro com o propósito de ganhar bom dinheiro, comprar um bom maquinão e meter raiva à freguesia como se estivesse a vingar-se ou a cuspir nela e depois ficam chateados por ver o pessoal...sentir raiva dele? Mas não foi esse precisamente o propósito que ele queria atingir? Quem trabalha para provocar a raiva de alguém pode esperar receber admiração, respeito ou amor de volta? Se mete nojo, recebe nojo, é assim tão complicado entender isso? É como eu sempre digo: Não serve de nada ficar mais rico (ou mais abastecido vá lá) se a mentalidade da pessoa continuar pobre como sempre.