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Catalunha ou o sonho de uma república que durou 5 horas...

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E ao fim de tanta insistência, mas sobretudo teimosia, o parlamento da Catalunha lá conseguiu proclamar a sua famigerada independência deixando a via aberta para que fosse estabelecida uma nova república, mas ao fim de 5 horas...deixou de ser autónoma e perdeu todo o poder que tinha na Espanha através da activação do artigo 155 da constituição espanhola. Ontem o governo da capital assumiu oficialmente a presidência da Catalunha através de um Conselho de Transição Nacional (CTN) chefiado por Soraya Saénz de Santamaria (SSS? Credo!!) e convocou eleições autonómicas antecipadas para o dia 21 de Dezembro. Lá diz aquele velho ditado de que "quem tudo quer...tudo perde". É duro, inadmissível, revoltante e triste, mas é também nisto que dá o querer brincar com coisas sérias. 
A sério que não sei o que pensar desta gente. Se fosse um povo maltratado, explorado, que passasse trabalhos, fome ou miséria, certamente que seria perfeitamente capaz de perceber a sua luta, agora, um povo fidalgo que vive tão bem e tem mais privilégios do que a maioria dos povos da Europa, acho tudo isto muito incompreensível. Quando uma coisa é bonita e funciona bem, não manda a sensatez que se continue a apostar nela? Porquê estragar aquilo que parece estar bem feito? Ainda para mais à custa de um projecto gasoso que não tem qualquer rumo traçado nem nenhum plano devidamente estabelecido. No presente, a sociedade catalã só consegue alimentar uma ideia na sua cabeça que é o desejo de ser independente seja qual for o preço que tenham de pagar, para fazer o quê com isso é que nenhum deles sabe...mas acho que isso também deve importar muito pouco. Interessa é fazer barulho. A sério meus queridos amigos, acho que esta gente não faz a menor ideia do que é passar mal na vida. Ainda hoje vi uma reportagem na televisão que falava sobre a dramática situação que se vive presentemente na Venezuela. Vi pessoas a procurar comida no lixo que conseguiam encontrar nas ruas e a comer directamente das sacas. Nem sequer cheiravam os restos de alimentos para saber se estava bom ou fraco, metiam simplesmente na boca e mastigavam tudo. A inflação parece que atingiu os 700%, a mortalidade infantil subiu 30% e num país rico em petróleo que já foi  a quarta população mais rica do mundo, vêem-se agora crianças de 8 anos com apenas 18 kg de peso. A Catalunha é uma região rica mas que pode fazê-la achar que consegue ter mais astúcia do que a Venezuela? Porque raio maltratamos tanto a nossa democracia? Quando vivemos bem , à "rico", temos tudo à mão e nada nos faz falta, temos sempre esta enfastiante mania de acharmos que não precisamos de ninguém e que somos melhores do que todos os outros à nossa volta. Assim, mais tarde acabamos sempre por pagar os pecados provocados pelo nosso excesso de soberba já que a nossa vaidade cega-nos e distorce a percepção que temos das coisas. Se pudessem ver as coisas num sentido mais amplo poderiam também colocar as questões que se julga pertinente colocar nesta altura. Será que somos ricos e bem sucedidos apenas por mérito nosso ou será que a aliança da qual fazemos parte tem sido promotora/responsável por uma grande fasquia do nosso sucesso? O que vale a Espanha sem nós, mas que valemos também nós sem ela?. Não há nada de pior nem de mais perigoso do que a falsa demagogia popular. Assim, oxalá a  sociedade catalã nunca tenha de cair no abismo nem venha a conhecer nenhum cenário de calamidade social. Que ela é teimosa e orgulhosa isso já todos nós sabemos, agora, esperemos que ela também seja suficientemente inteligente para reconhecer a estrada longa e sinuosa na qual caminha e interpretar os sinais que se fartam de vir de todo o lado. Julgavam se calhar que a SEAT ia ficar sossegada e não ia dizer nada? Pois, isso é um grande problema. Essa coisa da politica pode ser muito linda mas são as empresas que dão empregos às pessoas e garantem o seu sustento e nenhuma delas gosta de perder dinheiro...

Catalunha ou o prelúdio de uma democracia condenada à morte...

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Tenho seguido com bastante interesse as noticias que nos tem chegado da situação dramática que se vive actualmente na Espanha, mais concretamente na Catalunha. É assim, desde pequeninos que somos educados para a cidadania e para viver em democracia. Na escola aprendemos que todos os homens são livres e iguais perante a Lei, que cada cidadão tem uma série de direitos que estão consagrados pela Constituição através de vários princípios indissolúveis de entre os quais figuram alguns fundamentais como o princípio da igualdade e do direito à resistência perante qualquer forma de opressão. A constituição atribui-nos ainda muitos outros direitos tais como o direito à vida, à integridade pessoal, à cidadania, à palavra, à liberdade e à segurança, e à livre expressão do nosso pensamento e informação. Assim, crescemos com a fantasia de que existe um conjunto de regras inquestionáveis e invioláveis que visam garantir que não sejam repetidos alguns erros do passado e que o povo não se veja novamente sujeito às tormentas de ter que viver sob a alçada de regimes políticos opressores fascistas que negam ao ser humano qualquer pretensão que ele tenha de ser feliz. Disse fantasia porque, infelizmente, quando a Democracia é convidada a mostrar a sua força, mas, sobretudo, a sua diferença quando comparada com regimes mais autoritários, é com alguma surpresa que verificamos que, afinal, e tal com esses, ela não passa de uma grande treta. Senão vejamos. Temos na Catalunha um povo que nunca se identificou com o reino Espanhol e para provar isso basta dizer que essa região possui a sua própria língua, história e cultura. Perdeu a independência e autonomia pela primeira vez em 1714 quando Barcelona foi cercada pelos Borbónicos e após ter conseguido recuperá-la em 1931, acabou por voltar a perdê-la anos mais tarde com a ditadura franquista. Após a morte de Franco,e com a restauração da democracia, foi permitido à Catalunha ter o seu próprio parlamento, força policial e sistema de educação, tornando-se assim umas das 17 regiões autónomas que compõe a Espanha. Mas a a região da Catalunha goza de um grave defeito. O pior de todos por assim dizer. Para além de ser a 2ª região mais populosa do país, trata-se também da mais rica de Espanha e representa 20% do seu PIB nacional. O resto já se sabe, quem é rico...nunca gostou muito de partilhar com quem é pobre, ainda para mais se foi coagido a fazê-lo sob a ameaça de armas de fogo. Assim, temos uma Catalunha (7 milhões de habitantes) cuja história fê-la ganhar ódio por MADRID e esse ódio irá estender-se ao longo dos séculos que ainda hão-de vir. Por ser tão rica e tão decisiva na economia Espanhola, não será nenhum absurdo dizer que o seu afastamento provocaria irremediavelmente o colapso do país, colocando assim o governo Espanhol numa situação de extrema fragilidade à semelhança do que se passaria se a região do Porto quisesse ser independente e decidisse separar-se de Portugal por exemplo. Trata-se de uma questão delicada que dificilmente terá uma solução à vista e que já por isso requer muito cuidado e bom senso da parte de quem governa. No entanto considero que o governo de Mariano Rajoy tem estado a meter os pés pelas mãos nesta questão. Há um referendo no ar e que decide ele fazer? Vai proibir as pessoas de votar , violando assim os seus direitos mais fundamentais e ferindo também o seu orgulho. Se até ali podia haver alguns "indecisos" ou algum cepticismo nesta questão , com aquele gesto acabou por matar qualquer simpatia existente à capital e deixou logo tudo decidido. Os Catalães, como seria de esperar, na sua qualidade de gente brava e orgulhosa, jamais iriam permitir que tal afronta do governo passasse em claro e, à semelhança do que faria qualquer povo que visse a sua casa a ser atacada, reagiram e trataram logo de arranjar soluções para que esse referendo pudesse realizar-se. E realizou-se. Mas o que se seguiu depois merece figurar nos anais da historia como a mais triste, perversa  e execrável lição democrática alguma vez revelada pelo homem. Essa nova lição democrática, dessa "nova democracia" que hoje em dia parece estar a nascer perante os nossos olhos, baseia-se na premissa seguinte:«Podes beber desde que bebas da minha fonte, podes comer desde que comas da minha mão, e podes pensar desde que penses igual a mim, porque se beberes da tua fonte, comeres do teu prato, pensares pela tua cabeça ou quiseres decidir o teu futuro, serás maltratado, espancado ou preso como o grande malfeitor que és...». Em suma, de tanto maltratarmos a democracia ela acabou por estender de novo o tapete ao fascismo, tendo a Espanha assumido carregar o estandarte do primeiro exemplo. Assim, sob a capa da "legalidade" e servindo-se do aparelho jurídico burguês espanhol, o estado desencadeou uma verdadeira operação repressiva sobre a região da Catalunha, destacando para o local mais de 10.000 soldados para intimidar a população, invadiu três ministérios da Generalitat (Economia, Negócios Estrangeiros e Presidência) e prendeu 13 dos seus membros. Encerrou locais de voto, confiscou urnas e cédulas eleitorais, e espancou a população presente nos locais de voto provocando assim mais de 900 feridos. E no fim de tudo isto, o Rei de Espanha, Felipe VI, com o gesto mais hipócrita que tive o desprazer de ver até hoje da parte de um pseudo-rei, ainda teve a lata de invocar a deslealdade e falta de respeito do povo catalão pelo espírito democrático para justificar as acções anti-democráticas que o governo decidiu tomar contra eles. Sem mais palavras...