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O sarilho do Carrilho...

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Já saiu a leitura do acórdão no Tribunal da Comarca de Lisboa mas acho que este caso está ainda muito longe de ficar totalmente resolvido, sobretudo atendendo aos últimos desenvolvimentos que entretanto surgiram e foram expostos na praça pública (acidente rodoviário) que acabam por favorecer os interesses de Manuel Carrilho já que parecem confirmar o problema de álcool que afecta negativamente a vida da Barbara Guimarães e que ela sempre se esforçou por negar em tribunal. Carrilho foi condenado a uma pena de quatro anos e seis meses de prisão com pena suspensa pelos crimes provados de agressão, injúrias, violência doméstica, difamação e denúncia caluniosa contra a ex-mulher. O tribunal condenou-o ainda a frequentar um programa de sensibilização contra a violência doméstica, ficando também proibido de contactar com a ex-mulher e aproximar-se da sua residência. Para terminar terá ainda que pagar 50 mil euros a Bárbara Guimarães e 15 mil euros ao seu ex-namorado Ernesto "Kiki" Neves, que também era assistente no processo. No final da leitura a juíza presidente do colectivo bem que tentou apelar ao arguido para "não persistir mais" neste processo, temendo talvez que a sua decisão não tivesse efeitos práticos caso o processo fosse reavaliado por uma nova instância devido aos desenvolvimentos já referidos anteriormente, mas Manuel Carrilho ignorou-a por completo e já fez saber pelo seu advogado de que iria recorrer desta sentença."É um facto que a minha mulher apresentava um alcoolismo elevado, comprovado pela polícia." declarou ele à saída do tribunal.
Dizem que esta sentença foi inédita por ter sido a primeira vez que um politico foi condenado à cadeia por violência doméstica mas eu não concordo de todo com essa afirmação. Sabemos bem que as penas de prisão suspensas servem apenas de incentivo para que o arguido meta o rabinho entre as pernas e pague as indemnizações, multas e outras despesas inerentes ao processo para não ter que ver o sol a nascer aos quadradinhos. É natural que para a condição financeira de Carrilho todos esses valores possam parecer meros trocos e a intenção do tribunal acaba por ser mesmo essa. Estabelecer valores que sejam substanciais mas que estejam perfeitamente ao alcance do arguido para que ele prefira desistir do processo e seguir a sua vida em frente do que perder mais anos de felicidade e arrastar esta questão por um tempo indefinido. Mas sou-vos franco, para mim inédito teria sido o Manuel Carrilho cumprir a sentença de prisão ou a Barbara Guimarães conseguir deixar o vicio do álcool. Assim lá vamos ter que ver esta novela arrastar-se mais alguns anos nas revistas do TV Mais ou da NOVA GENTE para poder alimentar a cusquice do povo e a fofoca das beatas nas mesas das pastelarias ou à saída da missa. O Manuel Carrilho pode ainda queixar-se de ter tido pouca sorte na escolha do juíza desembargadora Joana Ferrer Andrade para julgar o seu caso, porque se o mesmo tivesse sido julgado pelo digníssimo juiz Neto de Moura, o tal que não gosta de mulheres adulteras, não só teria sido inocentado com base numa lei qualquer do tempo da inquisição como ainda por cima era capaz de ganhar um louvor ou até mesmo um feriado com o nome dele.

A "bíblia" dos homens...

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Foi titulo da primeira página do JN de hoje e é uma noticia simplesmente inacreditável. Um Juiz do tribunal da Relação do Porto desculpou o comportamento de dois homens acusados de violência doméstica com base em passagens da bíblia católica (que foi escrita pelo homem como se sabe), algumas práticas seculares do médio oriente e alguns enxertos de uma legislação escrita pouco tempo após ter sido extinguida a presença da "Inquisição" em Portugal e que, como é óbvio, fruto da atrasada e execrável mentalidade daquelas épocas, condenam violentamente o adultério.


Muito resumidamente (quer se dizer, vou tentar pelo menos...) a história deste caso pode ser contada desta forma: Em 2014 uma mulher casada talvez farta da porcaria de vida que levava envolveu-se secretamente numa relação extraconjugal com um homem solteiro, o que eu condeno mas cada qual sabe da sua vida. Pouco tempo depois, quando as hormonas voltaram a estabilizar, ela quis acabar com a dita relação mas como o amante já estava habituado a ter sexo do melhor e de forma totalmente gratuita (muito diferente daquele que, se calhar, anteriormente era forçado a pagar), passou a perseguir a mulher por tudo quanto era sitio, seja fisicamente ou através de mensagens enviadas para o seu telemóvel. A sua intenção pareceu-me ser bastante clara, queria pressionar emocionalmente a referida mulher para que continuasse a satisfazer os seus intentos sexuais com base na chantagem, o que faz dele um crápula e constitui claramente um crime de assédio moral. Como ela não cedeu (quem cede às exigências de um porco?) o amante vingou-se contando tudo ao marido traído. Este, por sua vez, acabou por ficar separado da mulher e passou também a persegui-la através do envio de mensagens SMS com insultos e ameaças de morte, o que revela obviamente que a opção da separação partiu da vontade dela e não dele (traído e abandonado, que poderá haver de pior para ferir o orgulho de um homem?). Não satisfeito com tudo aquilo que tinha feito, o ex-amante continuou a perseguir e assediar a sua vitima e em 2015 acabou mesmo por sequestrá-la e transportá-la para um local perto do emprego do ex-marido. Aposto que seria um local bastante discreto e propício a práticas sexuais decididas em cima da hora, mas como a mulher mais uma vez não cedeu a chantagens (ah grande mulher!), agindo mais uma vez por vingança aquele chanfrado asqueroso acabou por telefonar ao ex-marido e convidou-o para um encontro a três, o que, mesmo não tendo sido premeditado, resultou no espancamento da citada mulher com uma moca feita com pregos cravados. Hediondo não é? Parece uma daquelas coisas macabras que se usava fazer nos tempos medievais, mas ainda assim isso foi muito pouco quando comparada à sentença proferida por aquela bosta de Juiz que viria a ser encarregue de julgar este caso. É que, pior do que as acções de gente atrasada, porca e delinquente só mesmo a subjectividade de um religioso juiz psicopata.

Obviamente que, oficialmente, estes dois homens foram condenados pelo tribunal no sentido de iludir o povo e vender perante a sociedade a imagem de que a justiça funcionou, mas na prática a condenação deles não equivaleu a nada. Um verdadeiro zero ao cubo. O marido apanhou ano e meio de prisão e 1750 Euros de multa e o amante teve direito a um ano de prisão e 3500 Euros de multa, mas como as penas ficaram ambas suspensas, na prática só vão cumprir cadeia efectiva se eventualmente não quiserem pagar as multas. E através desta sentença aflitivamente singular é-nos perfeitamente possível visualizar o objectivo primordial dos tribunais. Hoje em dia eles já só existem para criar e cobrar multas. Que se dane se houve algum crime, se mataram alguém ou se houve alguém que ficou com a sua vida devastada, o importante não é meter os criminosos na cadeia para que possam meditar sobre a gravidade dos seus actos porque isso acarreta que haja despesas da parte do estado para mantê-los dentro do gaiolão. O importante sim é gerar receitas para pagar o despesismo do estado, os luxos dos juízes, ministros e outros funcionários que pertencem ao quadro mais alto da justiça e os absurdos salários que ganham mensalmente fora os prémios que ninguém vê, e também os vários milhões que cada governo eleito pelo povo acaba sempre por roubar a cada legislatura tudo na mais honesta e profunda legalidade. Criar e cobrar multas, isso sim é importante e não pode falhar caso contrário a máquina pode emperrar. Tudo o resto são pormenores e não interessam a ninguém. Hoje vale tudo menos tirar olhos? Mas que interessa isso? O planeta está superlotado e não faz mal nenhum que se crie condições para que alguma gente possa morrer.

Agora mais a sério, isto será mesmo verdade? Foi nisto que o mundo se tornou? São estes os nossos guardiões da justiça, paladinos da verdade e baluartes do civismo? Num estado supostamente laico agora também já se tornou possível condenar e desculpabilizar pessoas aos olhos da justiça tomando como base algumas citações da bíblia e práticas seculares praticadas por algumas culturas mais bárbaras do que a nossa? Mas que brincadeira vem a ser esta afinal? É assim que os juízes querem ser respeitados? Será que este juiz também já foi corneado e agora não pode ver mais mulheres adulteras à frente dele? Ou será que passou a estar tudo doido neste país? Eu aposto na última...