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Suposições pontualmente incertas...#02


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Todo o pais está a arder, e esta sexta-feira passada conseguiu mesmo ser o dia com mais incêndios em Portugal, mas como ainda não morreu mais ninguém por causa deles, pelo menos desde que aconteceu a tragédia de Pedrógão Grande, dá-me a sensação de que a sociedade inteira parece estar a borrifar-se para tudo isso. No death, no blood, no Tv, no fun, no party...Continua tudo igual assim sendo. O povo com as suas férias, praias, futebol, Shots e Caipirinhas e as corporações de bombeiros com as suas sobejamente conhecidas dificuldades financeiras. Enfim, aquela mentalidade do costume...

Rescaldos de Pedrógão Grande



Há aquelas situações em que as tragédias são noticiadas com pompa e circunstancia, mas muitas vezes percebe-se porque o fazem, já que a sociedade precisa de estar informada e alertada para aquilo que se passa no mundo. Mas que dizer daquelas situações em as televisões por vezes parecem quase estar a gozar com a inteligência dos espectadores ou, pior, quando parecem fazer das tragédias um verdadeiro espectáculo de circo? Foi aquilo que me pareceu presenciar no domingo à noite ao ver o Jornal das 8 da TVI, quando ao minuto 26 do video que podeis encontrar aqui, assisti a algo verdadeiramente bizarro. A cena começou por mostrar um repórter a falar para a câmara de Tv, directamente da povoação de Trespostos, num cenário que, aparentemente, parecia todo ele carregado de fumo e fogo. Pensamos imediatamente para nós:«Eh pá, que aquilo parece estar muito mau para aquele lado». Em seguida o operador de câmara vai descendo a rua, filmando tudo em seu redor, e dá-se a primeira surpresa. Afinal o fogo só ardia junto à parede e em pequenos focos bem distribuídos. Penso então para mim: «Mas que fogo mais bem comportado». Depois o operador pára em frente a um portão velho de madeira de uma casa e reparo por uma frincha lá existente que não está nada a arder por detrás dele. Apenas via-se algumas chamas em cima da parede a queimar silvas verdes (silvas verdes????). Bom, até aqui são apenas algumas situações estranhas mas como por vezes os grandes incêndios projectam fagulhas para toda a zona em seu redor devido à acção do vento, podia ser que que estivesse a ver algo que fosse resultado disso. Mas ai surge outra situação mais estranha. O operador vira-se para o outro lado da rua onde está um homem à espera para ser entrevistado. Muito calmamente, ou melhor, com toda a calma do mundo o "entrevistado" lá foi dizendo o que sabia e sentia naquele momento. Nesse momento já fiquei mais intrigado. «Então, supostamente. está tudo a arder em frente à casa dele e o tipo está ali num relaxe de todo tamanho?». Extremamente bizarro. Depois o operador sobe novamente a rua e verificamos que os pequenos focos de incêndio estavam realmente apenas situados junto à parede e a cena termina com o repórter a falar a partir do mesmo ponto onde começou, sendo que por detrás dele podemos agora também ver o "entrevistado" a admirar o cenário de fogo da sua casa vizinha como quem está a presenciar um filme de cinema. Um pouco preocupado, mas sem sinais de nervosismo nem qualquer ar de aflição ou medo.
Ora bem, é óbvio que falo por mim, mas será possível que alguém possa ficar tão tranquilo se houvesse um grande incêndio nas proximidades da sua casa? E se estava a surgir algumas chamas perto da sua residência, porque não estava o tipo a tentar apagá-las, com baldes de água ou uma mangueira, antes que aquilo crescesse e pudesse também atingir a sua casa? Há coisas que para mim são simplesmente um mistério. Ou melhor, que deixaram de o ser. São os chamados mistérios da comunicação social. Há que potenciar a tristeza, o sofrimento e o drama...

O inferno na terra...

Sobe para 57 o número de mortos em incêndio de Pedrógão Grande
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À hora em que escrevo este post, soube através da CMTV que já existem 62 mortes confirmadas nos terríveis incêndios que no passado sábado fustigaram a região de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, de entre as quais contam-se 4 crianças e 30 pessoas que ficaram encurraladas ao tentar fugir das chamas e morreram carbonizadas dentro do seu próprio veículo. Nunca se viu nada assim. É um verdadeiro horror. Uma grande tragédia. Traduzida na mais horrível forma de morrer que se pode conhecer. O maior pesadelo para o ser humano e a prova de que a religião está profundamente errada sobre as origens da nossa criação. A ser verdade de que fomos feito do pó, como podemos nós servir de combustível? o pó não arde. Ou pelo menos não deveria arder. Para aliviar um pouco a dimensão da tristeza que uma situação destas consegue provocar na minha alma, guardo a esperança de que todas essas vitimas tenham desmaiado com o calor antes de serem atingidas pelas chamas. Caso contrário, a ideia por si só torna-se insuportável. Imaginar toda aquela gente, aflita, angustiada, a fugir daquele inferno, e a tentar salvar a sua família. É horrível. É ruim demais pensar nisso. E se é mau para mim, imaginem como deverá ser para a família das vitimas. 
Todos os anos acontece este flagelo. E todos os anos morre gente devido a isso. É deveras impressionante. Desta vez, porém, ninguém necessitará de viver mal com a sua consciência porque, ao que parece, a origem destes incêndios foram de causas naturais. Mas nem sempre é assim. Ou melhor, raramente é assim. Seja por interesses mobiliários, económicos ou financeiros, seja por doença psíquica, maldade dos homens, ou então simplesmente devido à aselhice, egoísmo, e/ou falta de sentido cívico do ser humano, a verdade é que todos os anos conseguimos destruir uma parte considerável do nosso património natural, cujo valor é incalculável e insubstituível. Estamos a matar a nossa flora - que traduz a maior beleza do nosso país -, com pontas de cigarro, garrafas de vidro partidas, esquecidas, e fogueiras mal apagadas de piqueniques. O ser humano tornou-se um fardo demasiado pesado para o planeta a partir do qual foi gerado. Comporta-se que nem aquele cretino que cospe no prato no qual acaba de comer. Um idiota, um tolo, e o mesmo ingrato de sempre. Mas uma ingratidão que poderá ficar-lhe caro no futuro. Para o dia em que ele quiser levar os seus filhos a passear para respirar o ar puro da natureza e ele já só existir engarrafado dentro de botijas....que guardarão dentro delas a memória de tudo aquilo que fomos e não fomos no passado.

(Ps: Peço desculpa a quem já tenha comentado, mas por uma questão de respeito às vitimas de Pedrógão Grande, o post anterior foi retirado temporariamente e será postado após terminar o período de 3 dias de luto decretado pelo governo. Obrigado)

Triste mundo este...

Costumo dizer às pessoas que tudo tem uma razão de ser...e que as coisas muito raramente acontecem por acaso...



Mas não faz mal, no dia em que deixar de haver árvores para produzir o nosso precioso oxigénio, estou seguro que este crime irá acabar...