08 janeiro, 2009

Os meus parabéns Maria de Lurdes!

Como boa fidalguinha que acredito que devas ser, bem sabes que a delinquência juvenil nunca foi uma verdadeira preocupação política. Foi sempre e tão só, um incómodo flagelo social, que nós, - les misérables -, lá temos que aturar, aceitar e alimentar como pão nosso de cada dia.
À César o que é de César, e deixemos lá os porquinhos crescer no curral, não é bem assim?

Além disso, se analisarmos isto com maior sensibilidade, com tantos Professores a desistir actualmente do ensino, não tarda nada, não só haverá possibilidades de fechar mais uma bonita e velhinha escolinha, como ainda por cima, poderás também poupar mais uns troquitos por via das penalizações inerentes às reformas antecipadas, não é?

Tudo te parece correr à feição, já que tens as costas bem protegidas, mas sinto que estás a esquecer um pormenor deveras importante. No dia em que bateres as asas e saíres finalmente desse teu poleiro, é seguro que irás ser rapidamente esquecida - sem honra, nem mérito - e quaisquer que tenham sido os contornos da tua obra, isto irá ser um "Goodbye my love goodbye" à Demis Roussos, tão certeiro e tão rápido, que, cá para a minha ideia, nem vai deixar muito tempo para que a gente possa, pensar sequer, em ganhar saudades...

Se perdestes os Professores e ganhastes uma população, reza para que nunca sejas forçada a viver no meio dela (Essa que tão orgulhosamente criastes) e que também nunca tenhas de sentir na pele...esse tão polposo fruto do teu trabalho.

Este desabafo é por causa dum artigo que li e que fui roubar daqui.

«...O inquérito a professores foi feito a 1100 pessoas, um "universo", como se diz na linguagem das sondagens, que torna as conclusões credíveis. O inquérito foi organizado por uma entidade ligada à Federação Nacional dos Sindicatos da Educação que não deve regozijar-se com as conclusões, logo dando ainda maior credibilidade. E o que diz o inquérito? Que 75% mudavam de profissão se pudessem. Que 81%, se pudessem, pediam a aposentação. Que 26% voltariam a escolher a profissão de professores. Do inquérito - uma das mais dramáticas sondagens que já li sobre meu país - eu gostaria muito de acreditar, apesar dos considerandos, que ele é falso. Que três em quatro professores o sejam porque não se podem safar disso, é dramático. Que mais de quatro em cinco professores partiria já para a reforma, é dramático (considerando, o que não me parece abuso, que 81% dos professores não estão na véspera do seu 65.º aniversário). Não sei se é culpa do país, não sei se é culpa dos professores. Sei é que são conclusões desesperantes. E, já que estamos no fim da linha, só me apetece dizer: olá, 26% dos professores! Só vocês me interessam...»

(Ferreira Fernandes no Diário de Notícias)

6 comentários:

NI disse...

Para mim, o inquérito apenas vem provar que no universo da escola pública temos 26% de pessoas que são verdadeiramente professores.

Os outros, são meros mercenários, isto é, apenas exercem aquela função pelo dinheiro.

Como em todas as profissões há bons e maus profissionais.

E, concordo contigo, apenas os 26% me interessam. Mais, ainda, apenas 26% merecem o meu respeito.



Bjs

Angelik disse...

Será que não percebem que a Educação é deveras importante para o país andar para a frente?
O que é que esta sra.ministra quer (escrevi em letras pequenas de propósito)?
Só destabiliza o sistema e depois os alunos é que se tramam com os professores infelizes!

Não há condições!

O pensador disse...

Nina, Verdadeiros ou falsos...são aqueles que temos e a não ser que o Ministério da Educação esteja com ideias de substituir 74% do pessoal docente na próxima década, o ensino do nosso país passa todo pelas mãos deles e não consegue ser feito sem eles!
Dizes que eles são Mercenários e eu respondo-te assim:

Tens filhas e elas também andam na escola. És capaz de saber com rigor de que lado da barricada estão os professores da tuas filhas?
Se calhar, és capaz de cobrir de elogios, a dedicação, o profissionalismo e a competência de todos eles, mas...que ficarias a pensar se amanhã viesse a descobrir que "esses tais" que tanto elogias, fazem também parte do grupo que declararam no inquérito, preferir mudar de profissão ou fugir já para a reforma do que continuar a ser Professor?
Ficarias chocada? De elogiados, passariam imediatamente a ser Mercenários também eles?
Não creio que se possa fazer uma avaliação tão superficial sobre o real valor das coisas, não concordas?
Nada acontece por acaso e este inquérito idém!

Além disso Nina, conheces alguém que trabalhe sem ser por causa do dinheiro?
Um bom Profissional não pensa em dinheiro?
Então nesse caso eu vou ser um mau profissional toda a vida, porque por muito que pudesse gostar da minha profissão, se não receber o meu ao fim do mês, podes crer que prego logo um "Manguito" ao patrão.
(Entre outras coisas)

Nina, os unicos que trabalham sem pensarem no ordenado, ou são os patrões da fabriqueta ou já são "bem abastecidos" e trabalham apenas para ajudar a occupar um pouco de tempo.

Um beijinho.

:-)

Angelik, O que me chateia é que a sra ministra (também pequenino de propósito) anda a preocupar-se com assuntos gazosos e deixa as questões importantes por resolver.
Ainda hoje ouvi no noticiário da SIC que devido à vaga de frio que assolou o nosso pais, alguns alunos de uma aldeia foram para a escola com cobertores às costas para assistir às aulas!
Perde-se tempo com banalidades e ninharias, e andam alguns miúdos a sofrer nas salas de aulas por causa das péssimas condições da escola!
E isto em pleno séc. XXI, dá para acreditar???
É uma vergonha!
Só espero que a ministra não veja este caso na televisão, porque senão, irá logo tratar de mandar fechar essa escola e encaminhar os seus alunos para outra escola das redondezas em vez de meter aquecimento central na antiga.
Assim se faz política em Portugal.

Bjs :-)

NI disse...

Pensador, quando utilizei o termo mercenários foi no sentido de diferenciar aqueles que escolhem uma profissão apenas pelo dinheiro. Para ser mais clara: conheci pessoas que escolheram uma profissão face à perspectiva de ganharem mais dinheiro e não porque gostassem dessa profissão. Não confundo este tipo de pessoas com aquelas que agarram qualquer profissão por necessidade. Tenho consciência que vão rareando os casos das pessoas as que conseguem exercer a profissão que escolheram e, ainda por cima, serem pagas por fazer algo que gostam . Felizmente, enquadro-me neste grupo.

No caso das minhas filhas posso dizer que já encontrei todo o tipo de profissionais.

E, já agora, na minha profissão há imensos mercenários.

Beijos

NI disse...

Adenda (dado que parte do meu comentário não apareceu):

Não é pelo facto de eu ter que cumprir normas (muitas das quais não concordo) e por ser avaliada (por parâmetros com os quais discordo) que vou deixar de gostar da minha profissão.

Se eles querem mudar é porque, no fundo, nunca gostaram de exercer tal profissão. Lamento tal facto porque sempre entendi que ser professor é das profissões mais nobres. Talvez por isso nem toda a gente tenha capacidade para o ser.

Beijos

Tinta Permanente disse...

Olá Pensador
A minha previsão é que daqui a uns anos, não vai haver professores suficientes e os pais vão andar de joelhos atrás dos profesores: "por favor não desista da sua profissão, ature-me os miúdos que eu não consigo!" LOL

Por isso espero que grande parte dos profissionais do ensino faça como eu : DEMISSÃO!
Nem maginas como sou feliz depois disso. A minha vida HOJE tem qualidade :)

Recado ao governo: p.f. deixem afundar o barco!