24 abril, 2011

A herança dos "Mal-nascidos".




Era 29 de Abril de 2010, e, de acordo com aquilo que o DN noticiava nesse dia, cada português devia, em média, cerca de 18,3 mil euros aos bancos estrangeiros.
Era isso minha gente, sem que houvesse necessidade de assinar quaisquer contratos, pedidos de empréstimos, escritos ou falados, ou o fornecimento sequer de cheques carecas, cada recém-nascido que tivesse a infelicidade de desembocar subitamente em solo Luso, ficava logo carimbado algures perto do rabo com a marca de uma dívida da qual era inteiramente inocente.
O cenário, à semelhança da confiança que os portugueses depositavam nos políticos, era deprimente, mas nada mais havia a fazer senão suspirar, chorar, aguentar e rezar por dias melhores.
Mas eis que mais um ano se volveu, e hoje, graças aos Teixeirinhas de meia tigela e ao rigor e à boa gestão Sócratica, damo-nos conta de que a dívida ao estrangeiro passou a equivaler o valor irrisório de 100 mil euros por família.
100 mil Euros, um número que aparentemente tornou-se mais redondo, talvez com a intenção de corresponder mais expressivamente às necessidades da Classe Esquerda mais efeminada e de penetrar mais docilmente no mealheiro rechonchudo das famílias Portuguesas.

Agora vamos fazer algumas contas de matemática.
Com pai, mãe, filhão, filhote e sogra, a minha família é deste modo constituída por 5 pessoas. Ora, se dividirmos os tais 100 mil euros por cinco, isso perfaz o vergonhoso calote de 20 mil euros atribuído a cada um de nós. (lá se foram as minhas lindas férias às Caraíbas...)
No ano passado era 18,3 mil e agora passei a dever 20 mil...fascinante, não? O número nem só ficou mais redondo, como ainda por cima, também ficou mais grosso (Ai que me aleijas!).
Mas acreditem ou não, nem tudo saiu mal nesta história. É que, à conta de fazer...contas, acabei por descobrir uma forma infalível de reduzir a dívida dos portugueses ao estrangeiro.
É verdade, vocês ouviram bem. Francisco o Pensador, o grandioso tudólogo que todo o mundo desconhece, descobriu uma forma de solucionar esta crise que aflige cada dia mais a pátria de Camões.
E a solução é...fazer filhos.
Sim, filhos. Muitos, aos montes, aos pontapés, aos cardumes, aos cachalotes (?), como queiram, desde que sejam realmente muitos, só isso importa.
Sim, falo sério! por cada filho que fizer, imediatamente uma brisa de ar puro irá refrescar o seu orçamento familiar. Porque nem só a parte da dívida que nos toca pagar (a todos) passa a ficar mais reduzida (para todos) - com a entrada em cena de mais um totózinho no seio da família -, como ainda por cima, contribuímos para suavizar a angústia dos famigerados zombies e morcões capitalistas, que para azar nosso ...são nossos patrões, e cuja classe já desespera há anos com a crescente escassez de porquinhos produzidos em solo luso.
É que sem Porquinhos hoje, para dar os grandes Porcos do amanhã, como poderá a Mirandela continuar a fazer, no futuro, boas Alheiras, a Bairrada bons Leitões e a Moura boas chouriças?
Vamos-lá pessoal...coragem! Não temam!
Toca a trabalhar! toca a fazer muitos!

2 comentários:

  1. Uma pessoa que tenha nascido a 29 de Abril de 2010, além da dívida de que falas, nasceu com outro estigma: partilhar comigo o dia de aniversário, eheheheh

    ResponderEliminar
  2. Damn it!
    E eu que pensava que a questão da divída era o pior... :))

    ResponderEliminar

A frase mais estúpida que poderá ser dita aqui é: "Para Pensador pensas pouco..."
A mais inteligente é: "És tão lindo Pensador..."