02 julho, 2017

Paixão, Amor e Sexo

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Há dias escrevi aqui um texto sobre os malefícios do tédio numa relação e isso gerou imediatamente uma discussão bastante interessante sobre as diferenças existentes entre a Paixão e o Amor. Ora, trata-se de um tema que por norma não gosto de fugir e talvez por ter ideias muito próprias acerca destes dois conceitos, decidi-me hoje finalmente a fazer um post sobre este assunto. Para começar a minha narrativa gostaria de enumerar algumas diferenças que considero existentes entre a Paixão e o Amor. A paixão é um sentimento de encantamento que se rege sobretudo pelo plano físico. Desse modo, as características que mais atraem a pessoa apaixonada são os olhos, os cabelos, os lábios, os contornos do corpo, a pele, o sorriso, o rabo, as nádegas, os seios, etc. Durante a paixão o ser humano fica atraído pela idealização que faz da outra pessoa e não forçosamente por aquilo que ela é de verdade. Durante este estado o "apaixonado" atravessa uma fase emocional muito intensa e tem também a necessidade quase interminável de estar sempre ao pé da pessoa amada. Os programas são sempre os mais elaborados e românticos, com direito a jantares sob a luz das velas e/ou vistas para o mar - onde já lá se encontra um pôr do sol para poder imortalizar aqueles momentos -, "bouquets" de rosas, jóias, anéis de brilhantes e caixas de chocolate, etc. Nessa fase o sexo conhecerá também o seu período mais intenso e escaldante uma vez que beneficia do efeito novidade e não sofreu ainda as agressões do tempo. Para uma pessoa apaixonada, o(a) seu(sua) parceiro(a) não tem quaisquer tipos de falhas nem de defeitos e mesmo que os tenha tudo isso irá parecer-lhe uma montanha de virtudes. A paixão pode durar desde algumas semanas até alguns anos (3 em média), dependendo da química existente entre os dois e do tipo de vida que o casal decidiu levar, mas acaba sempre por terminar por acção da rotina, das brigas e do tédio. É nesse espaço temporal que surge o momento mais marcante da história de uma relação a dois porque define de forma mais nítida se a relação acaba ou se resulta numa história de amor. Ah pois é, e não...não é nenhuma piada, é só mesmo nesse momento que o amor consegue entrar em cena. Sei que há muita gente que não aprecia muito ouvir isso, sobretudo quando se trata de mulheres, porque muitas gostam de acreditar que a sua relação foi fruto de um "Amor à primeira vista". Mas o amor à primeira vista nunca existiu, foi apenas uma fantasia imortalizada em livros por muitos poetas e escritores para melhor seduzir o público. O que existiu desde sempre foi "Paixão à primeira vista" mas esta veracidade não reluzia tão bem nos livros. Mas porque razão o Amor só surge quando a relação parece estar em vias de morrer ou terminar? Por uma razão muito simples, tem tudo a ver com a natureza e os vários elementos que caracterizam esse novo sentimento. A amor não se guia pelo superficial e é por isso que consegue ver muito além das aparências. É o único sentimento humano que consegue ver a chamada "Beleza interior" da pessoa que normalmente é traduzida através da sua personalidade, pensamentos, valores e autenticidade. Como o amor é um sentimento muito sereno, a sua chegada vai limpar todas as "ilusões" e outras armadilhas ópticas que a paixão deixou para trás, já que consegue identificar no(a) parceiro(a) tanto as suas qualidades como a dimensão dos seus defeitos. Quando tudo corre bem e o sexo é mais do que bom, a vida é um paraíso encantado que corre às mil maravilhas e ninguém se importa com as consequências de nada. Mas que acontece quando os primeiros sintomas dos "defeitos" que cada um guarda dentro de si começam a revelar-se e a corromper a relação, fazendo surgir problemas dentro de casa e levando o casal a afastar-se e a mandar piadinhas um ao outro, gerando assim algumas brigas? É o momento em que o amor ganha relevo e surge que nem um Dom Sebastião entre as brumas porque é o único que consegue salvar a relação. O Amor toma plena consciência dos defeitos do(a) parceiro(a) mas ainda assim prefere lidar com as adversidades que todos esses defeitos irão provocar do que viver sem a pessoa amada. É esta disposição das coisas que melhor define e torna este sentimento tão complexo e profundo, porque através dela percebemos perfeitamente que o termo "Amar" implica apoiar incondicionalmente o próximo, tanto nos momentos bons como nos mais difíceis. Isso não quer dizer que as brigas e discussões deixam de aparecer com o amor, muito pelo contrário, há tendência de elas até serem mais frequentes porque quem ama importa-se, não renega. A diferença é que já não sentimos a vontade de mandar tudo às "malvas" e, em vez disso, tentamos compreender o(a) parceiro(a) e procuramos encontrar consensos ou uma solução para os problemas. Amar não é sermos felizes ao lado de alguém, é procurarmos a felicidade da pessoa amada. Amar não é só querer morrer ao lado da pessoa que amamos, é sobretudo querer morrer na vez dela. Porque para quem ama, a sua vida deixa de fazer qualquer sentido sem a presença do outro. Amar é cuidar, é partilhar, é chorar de saudade, é sofrer com as tristezas do outro. A paixão é intensa, o amor é profundo. A paixão é força, o amor é segurança. Paixão é audácia, amor é serenidade. Paixão é sentir uma explosão dos sentidos, é atingir o apogeu do sexo. Amor é sentir a realização completa da nossa vida, é alcançar uma epifania de afectos.
E o sexo no meio disto tudo? Quando digo sexo, refiro-me obviamente às relações de natureza sexual. O sexo é o estandarte da paixão. É o condimento alimentador, o "Yin" do "Yang", a segunda face da mesma moeda. O sexo está para a paixão como o azeite está para o bacalhau. Ambos coabitam no mesmo espaço, complementam-se, e dão sentido à existência um do outro. É quase como uma relação umbilical, onde existe um tem que existir forçosamente o outro. Durante o período da Paixão o sexo irá assumir um papel muito importante. Será o bastião da felicidade amorosa. Se o sexo estiver bom, a paixão estará óptima. Se o sexo esmorecer, a paixão também sumirá. E durante o período do Amor, que papel passará a ser atribuído ao sexo? Nesse período o sexo assumirá um papel ligeiramente diferente. Como o sentimento da paixão foi dominado pelo sentimento do amor, o sexo passará a fazer um papel de fiel representante. Representará os únicos vestígios que a paixão conseguiu deixar na relação. Mas com isso não quer dizer que passou a ter um papel menos relevante. Muito pelo contrário. Por mais forte que seja a relação de amor, a verdade é que ela irá sempre ter a necessidade de sentir a presença de alguns traços de paixão para conseguir sobreviver. Se o sexo alimenta a paixão, e vice versa, a paixão por sua vez, também alimenta o amor. E é precisamente esta a conclusão que tiro e que gostaria de transmitir. Seja qual for a etapa da vida que o ser humano atravessar, seja homem ou mulher, solteiro ou casado, velho ou novo, todas as ligações amorosas são feitas de "Amor, Paixão e Sexo", e se qualquer um destes elementos desaparecer, a relação que os une também irá finar-se gradualmente. Sobrando apenas uma boa Amizade, quiçá...

9 comentários:

  1. Francisco, sempre discutimos (no bom sentido) esta matéria e eu refutava algumas das tuas conclusões porque não entendia os teus argumentos. Hoje, finalmente, entendi. Devo dizer que os teus argumentos são, de alguma forma, válidos e até sou capaz de concordar com alguns deles.

    Gosto particularmente desta parte:
    "Amar não é sermos felizes ao lado de alguém, é procurarmos a felicidade da pessoa amada. Amar não é só querer morrer ao lado da pessoa que amamos, é sobretudo querer morrer na vez dela. Porque para quem ama, a sua vida deixa de fazer qualquer sentido sem a presença do outro. Amar é cuidar, é partilhar, é chorar de saudade, é sofrer com as tristezas do outro. A paixão é intensa, o amor é profundo. A paixão é força, o amor é segurança. Paixão é audácia, amor é serenidade. Paixão é sentir uma explosão dos sentidos, é atingir o apogeu do sexo. Amor é sentir a realização completa da nossa vida, é alcançar uma epifania de afectos". Sinceramente, gosto.
    Tal como tu, não acredito no "amor à 1ª vista" e tal como tu concordo que o amor é algo sereno.
    Mas discordo dos argumentos que apresentas para justificar o sexo numa relação de amor. E se não for possível o sexo? A trilogia amor, paixão e sexo que consideras necessário para uma relação de amor perdurar desaparece. Como é? O amor acaba?

    :)

    Bj

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    1. Nina, parece incrível que tenhas escolhido realçar a parte do texto que mais me emocionou escrever. Não sei como consegues fazer isso. Nem sei como consegui fazer isso. :)

      Quanto à pergunta, gostaria de te dizer que me encontro precisamente no ponto em que também busco uma resposta para ela. Não sei dizer como tudo acaba, nem posso garantir nada, porque eu ainda vivo a minha história de amor. Para já é apenas um pressentimento da importância que cada um destes elementos ocupa numa relação a dois. Não posso afirmar que, por força das circunstâncias, a impossibilidade de haver um contacto sexual não possa elevar a relação para um patamar superior, distinto. Mas numa coisa eu acredito, mesmo que seja apenas em forma de amizade, o amor só acaba se o deixarmos acabar. :)

      Bjs

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  2. Assim, já nos entendemos melhor. :)

    É que, de facto, não há certezas de nada. O problema é que nos afectos gostámos de dar nome às coisas, em vez de as sentirmos.

    Beijos

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    1. Nina, se não déssemos um nome às coisas que sentimos nunca poderíamos estar a falar de amor nem de afectos... :)

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  3. Sexo aqui, acolá e em toda a parte. :)
    Gostei sobretudo da parte do Yin e Yang. :)

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    1. Quando se trata de sexo, quase tudo é aprazível. E de certa forma o " Yin e Yang" também faz lembrar uma posição sexual... :)

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  4. Há quem diga que o amor é cego, eu acho que só é amor quando passamos a ver completamente.
    Concordo tanto com o que escreveste, a paixão é uma montanha Russa cheguei de adrenalina, sem se pensar muito bem no que está a acontecer, nos simplesmente vamos. O amor é a pausa, é o sossego, a precessão da realidade é o gostar por inteiro, por isso é que é tão difícil amar alguém.
    O sexo é um dos pilares mais importantes, é a partilha crua de nós e o encontro da satisfação a dois.
    Gostei muito do teu blog, principalmente da tua maneira de escrever, clara, directa e objectiva.
    Boa semana :)

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    1. Inês,obrigado pelas tuas palavras. Quando dizes que o amor é o momento em que passamos a ver completamente, vais de encontro aquilo que eu defini no texto como a "realização completa da nossa vida". Por norma este blog tem um teor mais cáustico e brincalhão (gosto de provocar) mas por vezes também dá-me para abordar alguns temas importantes de uma forma muito séria, directa e respeitadora. Sem adornos e sem embustes. Por, isso se desejares continuar a vir aqui tens que vir sempre mentalmente preparada para isso.
      Boa semana também para ti. :)

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A frase mais estúpida que poderá ser dita aqui é: "Para Pensador pensas pouco..."
A mais inteligente é: "És tão lindo Pensador..."