20 março, 2008

Divórcio na Hora

Após o lançamento dos famigerados "Empresa na hora" e "Associação na hora", eis que acaba de sair bem quentinha do forno a apoteose do Simplex.
A partir de hoje, quem quiser se divorciar poderá fazê-lo por Internet através deste portal, com toda a comodidade do seu lar, numa operação que dura apenas entre 4 a 20 minutos.
Creio que esta medida acompanha na perfeição os níveis de coerência e maturidade que este executivo do Engenheiro Sócrates já nos habituou e acredito que seja determinante para fazer com que no futuro a taxa de natalidade aumente drasticamente.
Não há nada como um homem fazer um filho e divorciar-se na hora seguinte para não ter que mantê-lo, pois não?
Esperto este Sócrates!


A Igreja é que não achou piada nenhuma a coisa e até ousaram dizer que esta iniciativa era quase uma promoção ao divórcio.
Mas o certo é que eles também não fazem filhos (digo eu..) , logo também são incapazes de compreender o grau de importância desta medida..
Aliás, sensibilidade para as questões de actualidade nunca foi muito o forte da igreja porque foi preciso esperar até 1969 para vê-la reconhecer publicamente que o planeta Terra era redondo após visionar as imagens captadas por um foguetão que tinha ido à lua, numa altura em que todo o mundo já estava fartinho de saber disso..
- Se não houver filhos quem no futuro é que vai deitar esmolas na missa, ó engraçadinhos??




Pois é...vê-se mesmo que este executivo encara o ano 2008 como um ano de despedida.
Não consigo imaginar alguém fazer algo assim sem ser por uma questão de desespero!..
O PS no ano passado bem tentou manifestar-se contra esta medida (apresentada pelo BE) mas como estamos próximos das eleições...
..e no PSD anda tudo a conspirar contra o Menezes...
..e a brincar a brincar ainda vai nos sair a sorte grande...
..mas mesmo que saia, nunca será por maioria absoluta...
..e sem maioria absoluta vai ser preciso ganhar apoios (BE)...
..e para ganha-los... assim de repente ...

Exactamente!...Na politica é tudo uma questão de preço...

(Ps: Não sei se é verdade mas dizem as más línguas que o executivo do Sócrates prepara-se para fazer aprovar no parlamento , de preferência antes das férias de verão, um diploma intitulado "Fazer meninos na hora" que vai atribuir um prémio de 24,27 euros, que poderá ser arredondado para 24,30 euros, a todas as mulheres que estejam dispostas a fazer um bebé na hora em que faz o requerimento do respectivo prémio...estando este diploma dependente de saber se a Segurança Social está equipada com efectivos suficientes para participar na cópula..)

5 comentários:

  1. Pensador, vamos por partes:

    O divórcio por mútuo consentimento já pode ser requerido nas Conservatórias do registo civil,sem intervenção de advogados, desde que as partes estejam de acordo. Havendo filhos menores o acordo tem que ser préviamente analisado pelo Tribunal. Só depois é que o Conservador, na presença do casal pode declarar a dissolução do casamento. É um acto similar ao casamento civil mas, óbviamente de sentido inverso.

    Os procedimentos que descrevi anteriormente mantêm-se inalteráveis, com duas alterações: as partes em vez de entregar os documentos na Conservatória poderão fazê-lo via internet e não pode ser utilizado por quem tenha filhos menores.

    Segundo as informações que possuo este serviço foi disponiblizado por um advogado.

    O problema que levantas com este post não tem tanto a ver, na minha opinião, pelas facilidades concedidas para quem se quer divorciar ( e ressalve-se que estamos aqui a falar do divórcio por mútuo consentimento). Se ambos estão de acordo porque razão se há-de transformar um procedimento que é simples num processo longo e oneroso?

    O problema tem a ver com a facilidade com que um casal, no primeiro obstáculo que surja opta pelo divórcio. Já não se sentam, não conversam. Têm a primeira discussão e a solução é o divórcio.

    Mas, convenhamos, não é uma lei restritiva que vai alterar esta situação.

    Bjs

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  2. Só para complementar a informação anterior:

    "Como surgiu a ideia de se criar um divórcio electrónico?
    O mentor do projecto é Pedro Miguel Januário Lourenço, um mandatário judicial português residente em Londres que trabalha para a Comunidade Portuguesa residente no Reino Unido. A ideia surgiu da forte necessidade de uma interacção mais célere e eficaz com a Administração Pública portuguesa, já que muitos dos assuntos dos portugueses ali residentes são tratáveis em Portugal, como sejam os casos de partilhas, divórcios, menores, e assuntos administrativos vários relacionados com questões familiares do emigrante. A distância física que se faz sentir entre o emigrante e o mandatário (por exemplo: da Irlanda do Norte para Londres, e desta última cidade para a conservatória ou tribunal em Portugal), fazia com que, além de se entorpecer a justiça com inevitáveis atrasos, se criassem muitas das vezes actos desnecessários derivados de extravios, atrasos e greves dos correios, dificuldades em validação das assinaturas dos outorgantes que não estão na presença do mandatário, etc. Se juntarmos a isto, o facto de em 2005 se terem oficializado 48 671 casamentos e 22 853 divórcios, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, dos quais a maioria (93,5 por cento) foram de “mútuo consentimento”, com apenas 6,4 por cento de processos “litigiosos”, e num divórcio por mútuo consentimento, em que os cônjuges estão de acordo em tudo (casa, alimentos, poder paternal e partilha de bens) custar, em termos de honorários cobrados pelos mandatários, na ordem dos 500 a 5.000 euros, torna-se premente evitar que tal ocorra, quer nos casos de manifesta simplicidade (sem casa, bens por partilhar, filhos menores, ou necessidade de alimentos do ex-cônjuge) dispensando nestes a constituição de mandatário, quer nos restantes, facultando ao mandatário todas as ferramentas tecnológicas necessárias para agilizar o seu trabalho, reduzindo em consequência os custos destes e em consequência dos cidadãos
    ".

    Finalmente, quanto ao bébé na hora, apenas poderei dizer que qualquer hora é uma hora boa, eheheheheh

    Bjs

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  3. o que eu acho mesmo é que o casamento não faz qualquer sentido,

    talvez esta coisa do divórcio-na-hora sirva para que se perceba isso duma vez por todas.

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  4. Nina, o problema reside num objecto chamado "travesseiro".
    As brigas entre num casal acontecem facilmente e num primeiro impulso somos capazes de fazer muitas asneiras!
    Já por isso é que o travesseiro é tão importante!
    Permite-nos reflectir sobre tudo o que é importante para a nossa vida, o que podemos ganhar e o que podemos perder.
    Este tempo permite muitas vezes mudar e corrigir eventuais asneiras.
    Atribuir esta facilidade nas mãos das pessoas é o mesmo que atribuir-lhes uma arma para matar a relação quando achar necessário.

    Solo, Um casamento vai muito mais além do que uma simples aliança.
    Casamento é a noção de respeito e compromisso entre um casal.
    Podemos por isso viver um casamento sem no entanto sermos casados.
    Mas se o objectivo do casamento será sempre unir 2 pessoas (efeitos positivos), o divórcio por sua vez será sempre um meio de afastar as pessoas.(efeitos negativos).
    Defendo sempre as coisas positivas..

    Abs

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  5. Análise deveras interessante nesta página, postagens como aqui vemos dão motivação a quem aparecer neste blog :)
    Faz mais deste sítio, aos teus utilizadores.

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A frase mais estúpida que poderá ser dita aqui é: "Para Pensador pensas pouco..."
A mais inteligente é: "És tão lindo Pensador..."