03 junho, 2011

Crónica de uma educação falhada




E já que abordamos o problema da violência nas escolas e destes mais recentes casos delinquentes que levaram uma miúda de 13 anos a ser brutalmente espancada por 2 raparigas muito mais velhas e outra a ser esfaqueada 17 vezes por uma tola, com um X-Acto, por causa de 10 euros ou dum cigarro, porque não enfatizar algumas razões que poderão estar por detrás de comportamentos tão infantilizados?


Maria de Lurdes Rodrigues. Em Janeiro de 2009, já aqui descrevia, de uma forma muito clara, o quanto respeitava e admirava o trabalho desenvolvido por essa mulher. Nunca gostei dela. Nunca gostei porque apercebi-me, demasiada cedo, de que ela gozava um mediatismo demasiado exarcebado para quem pisava um terreno...infenso a  protagonismos. Para se ser popular no mundo do ensino, tinha-se de se ser inevitavelmente farsante ou fingido. O mundo do ensino era um mundo gasto. Um mundo a necessitar de reformas substanciais e urgentes. Ora, quem poderia avançar com essas ditas reformas sem contar com o apoio, a aceitação e o envolvimento indispensável dos Professores?
Maria de Lurdes nem só achou que podia fazê-lo, como acabou também por se lembrar de fazer algo pior. Quis fazer as reformas às custas e para prejuízo dos Professores. Obviamente que o resultado dessa...insensatez, só poderia resultar em algo verdadeiramente dramático para a vida escolar.
Foram 4 anos catastróficamente queimados para o futuro da Educação Nacional. Quatro anos aos quais se somam um êxodo sem precedentes de profissionais altamente qualificados - que preferiram a reforma antecipada, mesmo com graves penalizações, do que viver angustiados às mãos de uma ministra sem ciso defenido - e as bases de um programa educativo, que, na intenção de satisfazer e abolir as estátisticas medíocres de conhecimento científico que o nosso país gozava nessa altura (com uma taxa de analfabetismo estupidamente elevada face a era que viviamos), adoptou o facilitismo como prática habitual e método referencial de trabalho, com resultados aberrantes, obviamente, como facilmente se poderia adivinhar na altura e veio a confirmar-se há bem pouco tempo no relatório que o ministério da educação publicou em Dezembro 2010, no qual a principal conclusão retirada foi que os alunos não sabiam racionar nem escrever.

Alunos que não sabem racionar nem escrever, que é como quem diz, as bases para uma sociedade inculta, saloia e delinquente. Eis a sociedade perfeita tão sonhada pela Maria de Lurdes Rodrigues, esculpida com saber e arte, e que apenas se tornou possível graças ao famigerado Simplex (versão Educativa), ideia bomba (booom!) promovida pelo governo do Engiiiheiro José Sócrates, o homem que, onde pôs a mão, conseguiu arruinar tudo. (Preferi dizer arruinar em vez de foder, porque, por motivo de objecção de consciência, recuso-me terminantemente a adoptar o Simplex).

E reparem só como funciona este nosso mundo da politica e a prova cabal de que somos apenas uns peãos que aqui andamos neste mundo. Quando o relatório da GAVE foi publicado a 31 de Dezembro de 2010, uns 20 dias antes aparecia nos jornais os resultados do relatório PISA, que, na área da educação, retirava Portugal da cauda da Europa e colocava-o à média dos restantes países da OCDE, fruto de uma subida relâmpago extraordinária. Nem preciso vos dizer que o José Sócrates não cabia em si de contente, e a Maria tola então, essa devia andar com a xaninha aos pulos, porque no fim de contas... agora éramos os maiores, os campeões! E tudo isso graças a ela!
Vejam lá que até na área da matemática, matéria essa à qual o ADN Português sempre foi historicamente adverso, os nossos estudantes tinham conseguido alcançar o 5º lugar na tabela dos melhores pontuados (hahahahahaha), quando nem 2 anos antes, estávamos cotados um pouco acima de medíocres. Os meus parabéns Maria, acho que nem o diabo se lembraria de algo assim.
Mas então porquê? Porquê relatórios com conclusões tão opostas? Porque fomos bons para a PISA (só com um "S") e medíocres para a GAVE?
Por uma razão muito simples. O relatório PISA considerou os resultados oficiais dos exames de aferição realizados em nossas escolas. Aqueles que a Maria de Lurdes tão astuciosamente elaborou e mandou colocar em frente aos alunos. Si, esses mesmos. Aqueles cujo maior desafio cientifico era dividir o número 100 por 10, podendo o aluno utilizar a máquina de calcular caso sentisse a extrema necessidade de o fazer. Obviamente que os resultados tinham por obrigação serem muito bons já que os exames foram propositadamente facilitados por razões políticas, ouso até dizer infantilizados, para inverter a nossa tendência natural para o baixo e favorecer estatísticas mais abonatórias para o nosso ensino.
E a GAVE, que fez ela? Bah...A GAVE, talvez na intenção de ser o mais objectiva e isenta possível no seu estudo, não quis considerar nada do que tinha sido feito anteriormente e optou por fazer novos testes de aptidão nas escolas, dando este resultado quiçá...desastroso para o ego Socrático. Mas infelizmente bem real, e o único que poderá ser levado em conta.
 
É por isso que eu nunca irei acreditar nos Governos. Nem em presidentes, nem no mundo da politica. É um mundo que vive fechado em si próprio. Um mundo que vive da mentira, do engano. Que vive da má fé, da desconfiança, da desonestidade. Vive de tudo o que possa proteger os seus interesses e alimentar a utopia que criaram. Tudo serve, tudo é válido, tudo se justifica e tudo se vende, inclusíve a auto-estima, o amor por si próprio ou até da família.
Para isso, basta apenas que se seja capaz de acertar no preço.

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