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11 junho, 2017

A época dos Marcelinos...

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Ontem foi dia 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Durante o Estado Novo, numa altura em que só havia ditadores estúpidos e malucos espalhados pela Europa fora, em Portugal este dia era também conhecido como o dia da raça que pretendia exultar os heróis do passado e todos aqueles portugueses ilustres que a classe aristocrata tanto gosta de engrandecer mas que só recolhe a indiferença da populaça. Hoje em dia celebra-se sobretudo a cultura de um povo único no mundo, porque só existe uma raça...que é a humana, e tudo o resto não passa de pura fantasia. Quando alguém tenta dizer-me que o Afonso I de Portugal (Afonso Henriques) tinha sido um grande herói porque revoltou-se contra a mãe Teresa de Leão e proclamou-se rei após vencer esta última na batalha de São Mamede e os mouros na batalha de Ourique, quando é sabido que o seu único objectivo era tomar de assalto o poder vigente e criar um império monárquico só para ele, tudo isso dá-me uma grande vontade de rir. Tanto naquela altura como nesta, não só aqui como em qualquer parte do mundo, o ser humano foi sempre capaz de fazer tudo e atingir os impossíveis para conquistar o poder e fazer crescer os seus valores materiais. Ontem era com a lei da espada, mas hoje como a sociedade tornou-se aparentemente menos violenta, passou a ser com a lei dos mafiosos e dos corruptos. Ontem como hoje, nada merece honras de ser glorificado.
Mas porque o povo precisa de heróis e é preciso saber entretê-lo com circo, nada como repetir sucessivamente as formulas de sucesso provenientes do passado, para dessa forma ajudar a eternizar o ciclo. Desta feita, o papel coube ao nosso actual presidente da republica Dr honoris causa Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que, dando uso ao seu carisma e à sua experiência de jornalista e "entertainer" comentador televisivo, festejou o feriado na cidade do Porto e pediu aos portugueses algo muito peculiar. Pediu um Portugal independente e livre. Independente do atraso, da ignorância, da pobreza, da injustiça, da dívida, da sujeição. Livre da prepotência, da demagogia, do pensamento único, da xenofobia e do racismo". Que é como dizer, pediu aos portugueses tudo aquilo que nunca serão capazes de ser, nem de dar. E tenho a certeza que ele sabe disso.


6 comentários:

  1. Ele sabe mas nós portugueses temos ainda aquele não sei quê, não sei como de querer acreditar nos impossíveis da vida, em potes de ouro no final de arco-iris e finais felizes e nisso Marcelo é excelente. Os portugueses precisam - será que precisam? - de acreditar neles mesmos e em coisas positivas. Tudo bem, mas como nas historias do sonho e da realidade o pior é acordar e perceber que nem tudo ou quase nada são rosas, ou cravos.

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    1. Miguel, de tanto ser optimista e querer acreditar nos "impossíveis da vida" é que os portugueses se colocaram na situação que vivem hoje. Trata-se talvez do nosso maior defeito. Não gostamos do que é possível porque o "possível" não tem piada. Quando temos que agir, esperamos sempre pelo impossível e como o possível não é eterno, acabamos sempre por ficar a ver os navios a passar. Oh!...outro barco que partiu sem mim! :)

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  2. Aqui sou mais optimista que tu. Apesar de todas as dificuldade, ainda acredito no meu País.

    Beijo

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    1. Eu gostava de acreditar mas confesso que tenho sentido cada vez mais dificuldades. Se não for o Cristiano Ronaldo ganhar algumas bolas de ouro de vez em quando, para nos lembrar que somos portugueses, até parece que não temos país. :(

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A frase mais estúpida que poderá ser dita aqui é: "Para Pensador pensas pouco..."
A mais inteligente é: "És tão lindo Pensador..."