21/10/2017

Raios parta a ganância!

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Não sei quando é que isto começou ao certo mas fiquei feliz por ter acabado finalmente. Refiro-me às promoções da Feira de Vinhos que decorreu nos hipermercados do CONTINENTE. Confesso que nunca fui um grande apreciador de vinhos. Durante toda a minha vida de adulto, o meu consumo nesta área esteve quase sempre limitado à média de uma garrafa de 0,75 cl de vinho tinto para o ano inteiro, e isto naqueles anos considerado mesmo bons. Se fosse por mim as empresas garrafeiras e as lojas de bebidas alcoólicas já tinham ido todas à falência porque não sinto qualquer necessidade de beber álcool. Sei apreciá-lo quando surge a oportunidade de prová-lo mas nunca deixei ganhar em mim nenhuma dependência nem nenhum hábito de consumo. Costumo beber um bom vinho no Natal ou na passagem de ano para que o meu pai não se sinta sozinho e não fique constrangido de ser o único a beber disso à mesa. Bebo também nas festas de S. João exactamente pelo mesmo motivo e também quando sou convidado a comer na casa de alguém e sou desafiado a acompanha-los na bebida, já que para muitos deles ela quase que representa o maior elixir da felicidade ou da eterna juventude. Em tudo o resto não sinto vergonha de dizer que o vinho cá em casa tem sido sempre do mais barato e é adquirido apenas para usos culinários nos quais torna-se necessário marinar carnes de porco, frango ou coelho. Mas o certo é que durante o tempo que decorreu essa citada feira, e sempre que entrava nas lojas Continente, senti um chamamento quase irresistível de comprar bom vinho. Sem que conseguisse perceber o porquê, via-me a ficar ali alguns minutos (senão horas) a observar as garrafas do expositor de vinhos tentando decidir qual seria a mais indicada para decorar a minha mesa na próxima Ceia de Natal que se avizinha. Em condições normais nem perderia o meu tempo a olhar para elas mas como se tratava de produtos sujeitos a promoções que rondavam os 70%, a troco de 4 Euros e mais qualquer coisa, já conseguia imaginar-me a oferecer ao meu pai o prazer de desfrutar de um vinho vendido normalmente ao preço de 15 Euros sem ser nos melhores restaurantes. E tanto andei, tanto andei que...acabei por ceder à tentação e decidi comprar mesmo uma. Pelo menos assim podia parar de ficar lá especado que nem um espantalho sempre que tinha de lá ir para fazer compras. Era uma garrafa de "Guarda Rios Signature" (ah pois é que se bebe muito "chiqué" nesta casa!) e custou-me a módica quantia de 4,69 Euros. Uma pechincha se comparada ao seu preço normal que, supostamente, devia rondar os 15,90 Euros. Supostamente disse eu bem, pois claro.
Infelizmente, para mim, por vezes tenho propensão para fazer destas coisas. Passo tantas e tantas horas na internet e não sei porque razão nunca tive a feliz ideia de pesquisar nada sobre a qualidade dos produtos oferecidos por esta promoção de vinhos. Se o tivesse feito saberia que estes vinhos foram especialmente concebidos para ser vendidos exclusivamente nas lojas CONTINENTE, tornando-se impossível fazer a equiparação entre os preços praticados por este último e aqueles que são praticados por outras lojas. Isso quer dizer que os gestores responsáveis por essa cadeia de hipermercados podem indicar que o preço normal de uma garrafa de 75 cl vale em condições normais entre 15 a 20 Euros que nunca haverá formas de saber se essa informação tem algum pingo de fundamento. Felizmente ou, mais uma vez, infelizmente para mim, durante as minhas pesquisas fui parar a vários espaços de gente conhecedora que se dedica à prova de bons vinhos, dos quais pude retirar a informação que ansiava para o "ilustre" vinho que tinha acabado de comprar...

«...Fácil e redondo na boca, revela-se com amplitude média, sente-se um pouco mais a fruta que no nariz, termina cm persistência média ao fruto. PVP normal na prateleira a 14,99€ (!!). Vinho fácil, sem pretensões a voos elevados, ao contrário do que o preço normal poderia supor para os mais incautos...»

Segundo o que dizem estes senhores "especialistas", trata-se de um bom vinho que justifica plenamente o preço que paguei por ele (4,69 Euros) mas que finda a campanha promocional jamais poderia ultrapassar esse preço e só por estupidez ou loucura mesmo é que chegaria aos 15,90 Euros. E não apenas este! Fiquei espantado quando vi estes senhores manter o mesmo teor de opinião sobre todos os outros vinhos vendidos no CONTINENTE com 70% de desconto. Assim sendo, conclui-se facilmente que, por mais que se beba e se goste desses vinhos, o seu sabor final irá sempre saber a trafulhice. E eu detesto gente trafulha.
Esta situação fez-me pensar em todos as opções que tenho tomado até agora, no que se refere aos meus hábitos de consumo, às compras que faço para satisfazer as necessidades do meu quotidiano e na relação que tenho mantido até hoje com as grandes superfícies e que até aqui julgava ser de confiança. Se há coisa que eu detesto é fazer papel de lorpa, e eu senti-me lorpa. Sei que tenho uma forma demasiado radical de ver as coisas mas sempre defendi a máxima de que todo aquele que falha uma vez numa matéria tão importante como esta, ou já falhava ( e só agora dei por ela) ou vai continuar a falhar...seja nisto ou em tudo mais aquilo que puder. Ou por outras palavras, perdi a confiança. O presidente da SONAE pode julgar-se muito inteligente mas a verdade é que à custa de 4,69 Euros acabou de perder a fidelidade de um cliente com quem mantinha uma relação de cumplicidade que já durava há quase 20 anos. É que depois disto eu já não volto mais a pôr lá os pés. Ora digam-me lá se , em vez de inteligência, esta "genial ideia" não acabou por resultar numa autêntica estupidez?

Raios parta a ganância...

4 comentários:

  1. Só confirma aquela máxima: "Anda meio mundo a enganar o outro meio". Quanto aos vinhos, eis algo em que somos iguais. Finalmente, ahahahha

    Beijo

    Nota: Não te enerves. Acredita, há coisas bem mais importantes.

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    1. Não estou enervado mas também não gosto da sensação de alguém ter feito de mim lorpa. Para mim não há valores que conseguem suplantar o carácter, a honestidade e integridade da pessoa com quem partilho relações comerciais. Dou muita importância a isso. Se me mentem uma vez, não há retorno possível nem direito a uma 2ª oportunidade. É sempre um adeus.

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  2. Eu recebi um talão de desconto para rum e sem que me lembre de alguma vez o ter bebido, estava a considerar aproveitar este magnifico desconto...podia oferecer a garrafa pelo Natal

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    1. Redonda, acho que no caso do Rum o conceito promocional aplicado já não é o mesmo porque não há marcas exclusivas à venda no Continente e podem ser encontradas noutras lojas, o que permite também que se faça a dita equiparação que mencionei no Post em termos de vantagens no preço. Se for vantajoso, acho uma óptima ideia da sua parte em aproveitar esse desconto. Ainda assim, informe-se primeiro. :)

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A frase mais estúpida que poderá ser dita aqui é: "Para Pensador pensas pouco..."
A mais inteligente é: "És tão lindo Pensador..."